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CIDADES
Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011, 20h:56

INFÂNCIA

Jovem e vulnerável

Relatório do Unicef mostra que 13,5% dos mato-grossenses de 12 a 17 anos vivem em famílias extremamente pobres

Relatório do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgado ontem dá números à situação de vulnerabilidade dos jovens em Mato Grosso. Conforme o estudo, 13,5% dos mato-grossenses que têm entre 12 e 17 anos vivem em famílias extremamente pobres, que ganham até 25% do salário mínimo. O dado faz parte da pesquisa Situação da Adolescência Brasileira 2011, lançado em Brasília, que leva em consideração 10 indicadores entre os anos de 2004 e 2009. Vivem hoje em Mato Grosso 345.266 rapazes e moças entre 12 e 17 anos, o que corresponde a 11,4% da população total do Estado, que é de 3.031.471. No Brasil, são 21 milhões de pessoas nesta faixa etária, ou 11% do total. O dado preocupante é que o percentual de jovens em famílias extremamente pobres só vem aumentando desde 2004, quando o total chegava a 9%. De cada 100 adolescentes do Estado, 6,3 não estudam e não trabalham, índice superior ao verificado em todo o Brasil, que chega a 5,4. Outro aspecto negativo é a taxa de abandono do ensino médio em Mato Grosso. Embora esteja em queda – já foi de 25,9% -, o índice de 15,8% é o maior do Centro Oeste e superior à média brasileira (11,5%). Apesar da situação de vulnerabilidade na faixa etária, a taxa de homicídios entre adolescentes no Estado - de 17,2 para cada grupo de 100 mil habitantes da mesma idade – é a menor do Centro-Oeste e inferior à média brasileira (19,1%). O relatório também averiguou o percentual de adolescentes que já tiveram filhos. Em Mato Grosso, de cada 100 pessoas nesta faixa etária, 3,3 já são pai ou mãe. A média brasileira neste mesmo indicador é de 2,8%. Dos 10 indicadores avaliados entre 2004 e 2009 no Brasil, em oito houve avanço, um deles (extrema pobreza) apresentou um ligeiro retrocesso e outro (homicídios) manteve-se estável em um patamar preocupante. A extrema pobreza entre os adolescentes, por exemplo, teve um pequeno aumento, enquanto a tendência na população geral é de queda. Isso significa que houve um aumento da representação dos adolescentes na população pobre. No caso da educação, os indicadores apontam importantes avanços no período analisado, mas o Brasil ainda enfrenta desafios nessa área. Entre os adolescentes entre 15 e 17 anos de idade, 20% estão fora da escola, enquanto o percentual é de menos de 3% no grupo entre 6 e 14 anos de idade. Entre as ações imediatas, a UNICEF propõe a criação de uma política pública para pôr fim aos homicídios de adolescentes; o estabelecimento de um plano específico para os adolescentes fora da escola, em risco de evasão ou retidos no ensino fundamental; e a produção de estatísticas sobre o grupo de 12 a 17 anos de idade.

Edição EDIÇÃO 16969




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