CIDADES
Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010, 11h:09
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SIAMESAS
Irmãs nascidas no HJM precisam de ajuda
Kauany e Keroly estão desde 22 de janeiro no hospital. Elas nasceram com pernas, barriga e genitálias em comum e seguirão para SP para cirurgia
Uma dupla de crianças especiais, nascidas no Hospital Universitário Júlio Muller (HUJM), está apelando para a solidariedade dos mato-grossenses para sobreviver e obter a complexa atenção médica de que vai necessitar daqui para frente. Kauany Aparecida Gonçalves Miranda e Keroly Joice Gonçalves Miranda nasceram gêmeas siamesas, ligadas por alguma parte do corpo ou com partes em comum. Elas são praticamente um organismo só da barriga para baixo e, caso não seja possível separá-las, necessitarão de estrutura muito especial para se desenvolverem. Kauany e Keroly nasceram no último dia 22 dividindo pernas, barriga e genitália, segundo a mãe Selma Gonçalves Maurício Miranda, de 31 anos, que já tem outros três filhos. Segundo os profissionais que acompanham as meninas na UTI Neo-natal do HUJM , cada uma possui seu intestino, mas os dois aparelhos estão interligados e um deles não possui saída para o bolo fecal. Por isso, até o momento, Kauany e Keroly estão sendo alimentadas somente por via intravenosa. Este problema deve ser analisado nos próximos dias, quando as crianças vão com a mãe para São Paulo para consulta numa outra instituição de saúde, onde também devem passar por uma cirurgia. Lá, os médicos ainda devem avaliar a possibilidade de separação das duas crianças, mas esta é muito remota, segundo já adiantaram alguns médicos do próprio HUJM. E se for pra correr risco de perdê-las, prefiro que não separem, afirma Selma, disposta a lutar pela sobrevivência das crianças mesmo que tenham de continuar unidas do jeito que a natureza as trouxe. Pra tudo Deus dá um jeito, né? Dá o frio conforme o cobertor, acredita, fervorosa, a mãe. De qualquer maneira, Selma apela para a ajuda de quem se sensibilizar com a situação da família. Ela e o marido vivem num pequeno sítio e lucram com a produção de leite no município de Vale de São Domingos (a 491 quilômetros de Cuiabá), com cerca de 3 mil habitantes. A família é humilde, veio para a Capital porque não havia condição de um parto tão complexo ser feito em sua cidade de origem e conseguiu passagens para ir a São Paulo com ajudas externas que já começaram a receber. Eles também afirmam não ter a mínima idéia de como deverão proceder nos cuidados às filhas especiais que acabaram de receber. É que os casos similares são tão raros que nem mesmo possuem registros na rede de saúde, como informou a Secretaria de Estado de Saúde (SES) tanto que o caso de Kauany e Keroly pode até ser o primeiro visto em Cuiabá ou no Estado. Em breve, a mãe das crianças deve divulgar o número de uma conta bancária para onde os interessados poderão enviar doações em dinheiro.