CIDADES
Sábado, 05 de Maio de 2007, 13h:39
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AVENIDA DAS TORRES
Início de obras anunciado causa apreensão
ALINE CHAGAS
Da Reportagem
No dia 21 deste mês, as empresas responsáveis pela obra do primeiro trecho da avenida das Torres começam a transformar em realidade o projeto da via radial com 12,5 quilômetros que ligará diretamente a região norte (avenida do CPA) à região sul de Cuiabá (Pedra 90). A primeira etapa, com um pouco mais de quatro quilômetros e prevista para terminar ainda este ano, ligará os bairros Pedra 90 e Jardim Imperial. Serão investidos R$ 10,4 milhões para construir o trecho, sobre o qual moradores já demonstram preocupação. Localizada em sua maior parte em terrenos ainda desabitados, as pistas da avenida das Torres têm trechos planejados para lugares onde existem ruas, casas e até mesmo creches. Para resolver rapidamente a situação, o prefeito Wilson Santos decretou que toda a área por onde passará a via radial é de utilidade pública para fins de desapropriação. Enquadra-se nesse decreto todo o tipo de imóvel que estiver no caminho da avenida, rural ou urbano. De acordo com o procurador Geral do Município, José Antônio Rosa, a prefeitura está justamente trabalhando na etapa da desapropriação. Rosa comenta que essa é a parte mais demorada, porém, tudo estaria transcorrendo com transparência e de uma forma que ninguém saia prejudicado, segundo ele. O procurador informa que os moradores que estiverem morando legalmente nas áreas por onde passará a via receberão indenização pela desapropriação. A equipe da prefeitura já percorreu os bairros por onde passarão as pistas e verificaram que 34 áreas precisavam ser desapropriadas. Agora é hora de avaliar os imóveis, sentar com os proprietários e descobrir quem são, descobrir se eles têm documentos, porque muitos não os têm, diz o procurador. Conforme Rosa, os moradores que não tiverem os documentos do imóvel, mas não estiverem em área de preservação permanente ou em área da Eletronorte receberão a indenização pela construção. Quem tiver a escritura, será indenizado pelo conjunto. Em uma das áreas por onde a via passará, na rua das Figueiras, no bairro São Sebastião, os moradores estão apreensivos. Até o momento, ninguém sabe dizer o que fará do futuro, porque ainda não se sabe como será a negociação com a prefeitura. Os moradores já passaram por essa angústia há pouco tempo, quando a Eletronorte instalou o linhão. Na época, foi preciso desapropriar as casas do lado esquerdo da rua. Agora, a rua das Figueiras será totalmente destruída. Junto com ela, a creche do bairro. Mariselma da Silva, de 29 anos, mora de aluguel na rua há pouco mais de um ano. Antes disso, morava na casa vizinha com a mãe, onde passou parte a juventude. Mariselma conta que os moradores da rua serão levados para um dos condomínios habitacionais da prefeitura. Essa possibilidade, conforme a moradora, está fora de cogitação para a mãe dela, que é proprietária da casa. A moradora tem um dos filhos na creche do bairro. Ela conta que o clima entre as mães é de insegurança quanto ao futuro da comunidade e da creche. Ninguém sabe falar nada para os pais. Esperamos que realmente só mudem a creche de lugar. Não pode fechar, pede. Morador da mesma rua, o vigia Angel Antônio Zasza, 53 anos, também está temeroso pelo futuro. Angel mora com a esposa, três filhas e um neto em uma casa de seis cômodos, com mais dois nos fundos. A família também só ouviu falar que os moradores seriam levados para um condomínio da prefeitura, como o Residencial Sucuri. Não há como aceitar isso. Construí minha casa, moro aqui há 20 anos. Foi aqui que criei minhas filhas. Já vieram aqui pedir nossos documentos, mas não explicaram nada. Só sabemos que não sairemos por pouco. Queremos um valor justo pela parte material e o que representa essa casa em nossas vidas, frisa Angel, que já começou a procurar outras casas no São Sebastião e Pascoal Ramos, mas percebeu que os preços pedidos estão muito altos. Próximo à rua que será desapropriada, Nilza Figueiredo, de 46, comenta que se a avenida não acabar com o bairro São Sebastião, deverá trazer benfeitorias, porque trará mais movimento à região, mais iluminação, o que possivelmente espantará a criminalidade. No entanto, Nilza se mostra bem mais crédula sobre o fim do bairro. Aos poucos estão acabando com tudo. Escolhemos morar aqui há mais de 20 anos, é ruim pensar no que pode acontecer com o bairro.