CIDADES
Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010, 20h:02
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FISCALIZAÇÃO
Ineficiência da prefeitura é alvo do MP
Promotoria do Meio Ambiente começa a investigar por que município não faz uso de seu poder de polícia para coibir aberrações mantidas na Capital
O Ministério Público Estadual (MPE) está investigando a suposta ineficiência da prefeitura de Cuiabá em exercer seu poder de polícia e evitar alguns dos problemas ambientais mais frequentes no cotidiano dos cuiabanos, como a poluição sonora, calçadas irregulares, lixo manejado incorretamente, funcionamento ilegal de estabelecimentos e ocupação indevida de espaço público. Para o MPE, o município tem sido omisso na fiscalização que deveria coibir esses problemas. De acordo com a portaria que instaura a investigação do MPE, assinada pelo promotor Gerson Barbosa no último dia 13, a ineficácia da fiscalização e irregularidades nas licenças urbanísticas concedidas pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Smades) têm acarretado prejuízos ao meio ambiente urbano e à sustentabilidade da cidade que poderiam ser amenizados ou não existiriam se o município exercesse regularmente o poder-dever de polícia administrativa. O resultado disso são problemas pequenos, mas que ferem os direitos dos cidadãos e prejudicam o cotidiano da cidade. Como exemplos, Barbosa cita as calçadas que muitos estabelecimentos rebaixam até o nível do asfalto no centro da cidade, dando liberdade para os carros estacionarem no passeio público que deveria ser dos pedestres. Isso sem falar nos estabelecimentos, comuns no centro da cidade, que foram construídos até o limite da calçada e obrigam os pedestres a usar o asfalto para circularem. Exemplos emblemáticos dessa situação estão na avenida Prainha. Há tanto casas cujos muros avançam sobre o passeio público, deixando apenas um palmo de calçada, quanto estabelecimentos que obrigam o pedestre a andar pelo asfalto, rente aos carros. Outras situações mencionadas pelo MPE referem-se à poluição sonora pouco controlada e ao uso indevido das praças por estabelecimentos em situação irregular. Barbosa quer saber por que alguns desses estabelecimentos acabam recebendo alvarás da prefeitura mesmo cometendo irregularidades. A liberação de licenças nessas condições se enquadra como crime ambiental, de acordo com a Lei 9.605, de 1998. O titular da Smades, Archimedes Pereira Lima, ainda não foi notificado a respeito da investigação do MPE, mas ele discorda que esteja havendo ineficiência na fiscalização municipal, que atualmente conta com 90 funcionários. Estamos fazendo muito com nada, contesta o secretário, referindo-se ao orçamento apertado à disposição da Smades. Em 15 anos, ele diz, a estrutura para fiscalização é a mesma, mas, neste período, a cidade passou por um boom econômico, expandiu-se, surgiram novos estabelecimentos e novas construções. Por isso o secretário menciona que está tentando implantar um projeto de reestruturação da Pasta para superar o anacronismo da estrutura com as atuais dimensões da cidade, mas aponta também que o problema existe também em diversas outras cidades do país. O procurador-geral do município, Fernando Biral, declarou que também não havia sido informado da investigação do MPE sobre a suposta ineficiência da fiscalização municipal.