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CIDADES
Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011, 21h:37

ÁREA VERDE

Impressão de descuido

Mato ao longo das trilhas, troncos de árvores caídos e pouca informação dão contorno ao primeiro impacto no horto de Cuiabá

DHIEGO MAIA
Da Reportagem
Quem está acostumado a percorrer parques com trilhas asfaltadas, de trajetos quilometrados e com informações sobre as árvores plantadas no local se assusta na primeira visita ao Horto Florestal Tote Garcia, localizado às margens do rio Coxipó, em Cuiabá. Uma vegetação rasteira cobre muitos pontos de grande parte das oito trilhas do parque, as placas com informações sobre nomes científico e popular das 200 espécies oriundas de vários biomas brasileiros não existem. Desgastadas pelo tempo, elas tiveram que ser retiradas. Outro problema está na mobilidade pelas trilhas do parque. A mais longa, por exemplo, está com uma ponte quebrada. Troncos de árvores caídos também são obstáculos em alguns pontos. Ano passado, depois de um temporal, 28 árvores de grande porte caíram ao longo das 17 hectares de área do parque. Para a coordenadora de Educação Ambiental do horto, Zilda Helena da Silva, o cenário descrito acima seria um sinal de descuido ao patrimônio natural em muitos outros lugares. Mas no caso do horto cuiabano, tais situações servem de experimentos para aulas ministradas ao ar livre. Troncos caídos são utilizados para mostrar a estrutura das raízes e a vegetação espalhada pelo chão impede o surgimento de erosões nas trilhas. “Isso mostra que a natureza é viva, dinâmica e auto-sustentável”, enfatiza a coordenadora. Zilda ainda explica que o parque se propõe a ser um nicho de conhecimento científico, e não um lugar para caminhada e prática de esportes. “O parque é voltado para aulas de educação ambiental, e não para as pessoas fazerem trilhas”, destaca Zilda. É por isso que no período de férias, visitantes são uma raridade no local. Ontem, quando a reportagem esteve por lá, não encontrou nenhuma pessoa contemplando a exuberância da área. O público-alvo do parque é mesmo a comunidade escolar. Só em 2010, 38 mil estudantes de Cuiabá e Várzea Grande caminharam pelo horto, tiveram contato com livros e animais empalhados. Sobrevivente da especulação imobiliária há 71 anos, o parque por si só é um exemplo da pujança da natureza. Antes de se transformar em unidade de conservação, o local era totalmente degradado. A diversidade de árvores de vários biomas só surgiu após um intenso processo de reflorestamento que transformou o lugar em um verdadeiro refúgio para cutias, macacos, pacas, lagartos, cobras e gambás, e para uma diversidade de plantas. O horto também funciona como uma barreira contra a erosão das margens do já poluído rio Coxipó. REESTRUTURAÇÃO – Uma parceria com a iniciativa privada vai promover a troca de todas as placas de informação sobre as árvores. A mudança deve terminar em março. A limpeza das trilhas também será intensificada após o fim das chuvas. Cursos de educação ambiental serão uma aposta do parque para este ano.

Edição EDIÇÃO 16967




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