CIDADES
Quinta-feira, 05 de Junho de 2008, 21h:12
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MATA-CAVALO
Impasse da área pára de novo no Incra
Mais uma vez está nas mãos do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) o fim de um novo impasse entre fazendeiros e quilombolas da comunidade de Mata-cavalo, localizada na cidade de Nossa Senhora do Livramento, 40 quilômetros de Cuiabá. Na quarta-feira, policiais cumpriram um mandado de despejo expedido pela Justiça Federal em favor dos fazendeiros. Pelo menos 10 famílias tiveram suas casas destruídas por tratores e não têm onde morar. Uma reunião foi realizada na tarde de ontem entre representantes dos quilombolas e do Incra. Os moradores alegam que a única pendência é a desapropriação da área, que é de competência do Instituto. Um minucioso estudo histórico e antropológico realizado em 1999 pela Fundação Palmares reconheceu a comunidade de Mata-cavalo como remanescente de quilombo, antes mesmo da portaria do governo federal que garantiu a posse das terras aos quilombolas. A moradora Gonçalina Eva de Almeida e Silva, uma das lideranças da comunidade, afirmou que alguns fazendeiros até concordam em sair da área, mas querem ser ressarcidos pelo governo. Hoje, segundo ela, há cerca de 10 fazendeiros na área. Gonçalina foi uma dos moradores que foram presos durante a ação despejo. Ela e mais duas pessoas foram detidas por policiais federais acusadas de desacato à autoridade e foram encaminhadas para a sede da superintendência regional da PF, mas já foram liberadas. Mesmo assim, vão responder a inquérito policial pelo crime. O coordenador regional do Incra, João Bosco de Moraes, reconhece que depois da comprovação pelos estudos históricos, a posse da área é dos quilombolas. Mas, segundo ele, o processo de desapropriação não é o tradicional, como de outros casos. Ele afirmou que dos 52 processos registrados, três deles já foram concluídos com sucesso. João Bosco também garantiu que na próxima terça-feira uma equipe do Incra estará na comunidade para fazer novos estudos da área para que acrescentem no processo. Uma comissão formada por representantes dos moradores, do Incra e da Fundação Palmares vão à Brasília na próxima semana para se reunir com a presidência do Instituto e reivindicar a resolução do impasse. Espera-se com isso que os processos de desapropriação sejam encaminhados. A diretora nacional de proteção ao patrimônio afro-brasileiro da Fundação Palmares, Bernadeth Clóves, esteve na reunião e mediou as negociações. Para ela, a comunidade de Mata-cavalo é um símbolo nacional de luta pelos direitos dos quilombolas.