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CIDADES
Sábado, 20 de Junho de 2009, 12h:57

MERCADO DO PORTO

Histórias pitorescas incrementam feira-livre

ALECY ALVES
Da Reportagem
O Mercado do Porto, a mais antiga e maior feira-livre de Cuiabá, não é apenas mais um entre as centenas de comércios de alimentos em funcionamento na Capital. Com uma grande diversidade de produtos, histórias de vida e personagens inusitadas, apesar de pouco explorado, é um dos mais importantes pontos de cultura e turismo da cidade. O lugar se revela bem mais que o “Mercado do Peixe”, que muitos conhecem superficialmente. Somente lá é possível comprar lingüiça de frango com pequi, afrodisíacos naturais extraídos do cerrado, como o ”enverga teso”, e conhecer figuras inusitadas como dona “Pintinha”, dona de um restaurante; a feirante formada em Matemática que se especializou em cálculos e preferiu fazer lingüiças a dar aulas em uma das melhores faculdades federais do país, além dos “reis” do peixe seco e das raízes medicinais. Formada em Matemática pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde também se especializou em cálculos e chegou a dar aulas durante quase dois anos, Silvania Costa e Silva, 31 anos, tem uma barraca onde vende 15 tipos de lingüiças feitas por ela mesma. Entre os embutidos de carnes que faz, a mistura de frango e pequi e de carne seca com queijo, diz, estão entre as que mais chamam a atenção dos consumidores. E, mesmo o pequi sendo um fruto sazonal, Silvania oferece essa iguaria durante o ano inteiro. Pelo menos uma vez por semana, Silvania fecha a banca mais cedo para executar tarefas nada comuns na vida de quem tem formação similar a dela. A feirante também faz banha de tocinho e transforma a pele do porco em torresmo a pururuca. Mãe de duas meninas, uma de 4 anos e outra de apenas 7 meses, Silvania é casada com o também feirante Andrelino Ferreira do Nascimento, 33 anos. Filha de feirante, desde os 9 anos ela acompanhava o pai, Pedro Inácio da Costa, pelas feiras-livres da cidade. Silvania conta que nem durante a faculdade abandonou a feira. Ela diz que já era dona de uma barraca no Mercado do Porto e que optou pela profissão que não aprendeu na universidade por várias razões, entre os quais, maior renda e a possibilidade de convivência maior com os filhos e o marido. Ela ainda consegue tempo para atuar como presidente da Associação dos Feirantes, atribuição para a qual foi escolhida recentemente. Perto de completar 60 anos, Joanita Vera da Silva, ou dona “Pintinha”, tem disposição para acordar às 5 horas, para comandar um pequeno restaurante na feira. Com a ajuda de uma funcionária, ela prepara pratos regionais como sarapatel, paçoca de pilão, farofa de banana, peixes, rabada com mandioca e outros pratos. Há 35 anos, desde que ficou viúva e com seis filhos para criar, essa é a rotina dela. A pinta que tinha sobre o lábio superior e deu origem ao apelido, ela retirou há 20 anos, mas sua verdadeira identidade permanece oculta. Quando perdeu o marido, conta, ser feirante foi a maneira que encontrou de sustentar a família e estar próxima dos filhos para educá-los. Hoje, os filhos querem que ela pare de trabalhar, mas dona “Pitinha” diz que não consegue ficar longe do corre-corre da feira. “Enquanto Deus me der disposição e saúde, estarei aqui”, garante.

Edição EDIÇÃO 16962




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