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CIDADES
Segunda-feira, 14 de Maio de 2012, 21h:30

VIOLÊNCIA NO CAMPO

Herdeiro de terra é morto em Cuiabá

ALECY ALVES
Da Reportagem
O assassinato de André Cursino da Costa Monteiro, de 57 anos, ocorrido na noite de domingo por volta das 19h, em uma área de terra vizinha da comunidade Ponte de Ferro, em Cuiabá, pode estar ligado ao conflito agrário que perdura desde 2006. André Monteiro é filho do proprietário da área - Flávio Inácio da Costa Monteiro, já falecido – e, portanto, um dos herdeiros de parte da área invadia por dezenas de famílias. A advogada dos herdeiros, Vânia Maria Carvalho, contou que na semana passada André, chateado com a demanda gerada pela invasão, chegou a questionar, durante uma conversa com ela e com outras pessoas, “se precisaria morrer alguém no local para que a situação fosse resolvida”. De acordo com as primeiras informações policiais, Monteiro estaria conversando com um vizinho de chácara quando a irmã dele e vizinhos ouviram o tiro. Atingido pouco abaixo do ombro, ele morreu no local. O vizinho, que supostamente seria suspeito do crime, ainda não foi localizado pela polícia. Pelas contas dos herdeiros, pelo menos 70 invasores ocupam parte das terras, cerca de 240 dos pouco mais de 470 hectares deixados por Flávio Monteiro. O governo do Estado, mesmo sabendo se tratar de uma ocupação ilegal, está executando no local o programa “Luz Para Todos”, por meio da Secretaria de emprego, Trabalho e Assistência Social (Setas) e da Cemat, fato denunciado pelos proprietários em reportagem publicada no DIÁRIO em edição do dia 10 deste mês. Poucos dias depois, a advogada Vânia Carvalho obteve na Justiça uma liminar proibindo qualquer atividade na área, incluindo a instalação de rede elétrica, construção de casas, plantio de lavoura, criação de animais e outros. Além de recorrer à Justiça para interromper o “Luz Para Todos”, Vânia denunciou o governo ao Ministério Público por entender que está utilizando recursos públicos em um projeto irregular. Também comunicou o fato à Casa Militar. Agora, a advogada está tentando uma nova liminar, esta de reintegração de posse. Ela diz que não entende a demora da Justiça em fazer a reintegração de posse, mesmo com a comprovação da propriedade da área pelos herdeiros. “Temos no processo a declaração do Intermat dizendo que lá não é assentamento e que o governo do Estado não tem interesse de desapropriar a área para esse fim. Também, como a maioria dos herdeiros tem mais de 60 anos, já apelamos para os direitos assegurados pelo Estatuto do Idoso, mas continuamos aguardando”, diz. No final da tarde de ontem, a Delegacia de Homicídios (DHPP), informou que a morte está sendo investigada, porém ninguém havia sido preso. (Colaborou Adilson Rosa)

Edição EDIÇÃO 16962




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