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CIDADES
Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010, 21h:19

JÚLIO MÜLLER

Greve é suspensa em menos de 48 horas

Técnicos e servidores administrativos decidiram aceitar a proposta da UFMT de 36h de carga horária para avaliar medidas de contrapartida

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Pelo menos até a próxima terça-feira está suspensa a greve dos servidores técnico-administrativos do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), em Cuiabá. A decisão foi tomada em assembleia geral realizada ontem, com a presença de cerca de 50 trabalhadores. A trégua foi dada após reunião com a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maria Lúcia Cavalli Neder, que oficializou a proposta de 36 horas semanais, sendo as 4 horas restantes concedidas para programa de capacitação ou quaisquer atividades de interesse do hospital. Os servidores decidiram acatar a proposta, a mesma feita dia antes da greve ser iniciada na quinta-feira. Porém, com alguns adendos. Alguns deles são que nenhum dos funcionários tenha que trabalhar além da carga horária estabelecida, que a reitora crie uma portaria regulamentando o trabalho ininterrupto na unidade hospitalar, que funciona 24 horas, e conforme estudo feito por uma comissão paritária. Além disso, querem que o acordo ou sugestões sejam homologados no Ministério Público Federal (MPF). “Se não aceitar, continuamos a greve”, disse Ricardo Lisita, do Sindicato dos Trabalhadores (Sintuf). Conforme Lisita, a decisão seria comunicada ainda ontem à Maria Lúcia. A categoria aguarda uma resposta até a próxima terça-feira, quando acontece nova assembleia. Se a reitora aceitar, eles mantêm a suspensão durante 30 dias. “Depois, vamos avaliar se tudo está sendo cumprido”, comentou. O entendimento de alguns servidores colocados durante a assembleia é que se não tiveram que fazer horas extras ou mesmo plantão o hospital não terá condições de manter as portas abertas. Também foi colocada a possibilidade de a unidade fechar a partir do dia 1º de março, mesmo com a existência da determinação da Justiça Federal que impõe o seu funcionamento pleno. Isso se explica porque a legislação faculta o uso de no máximo 90 horas extras ao ano para cada médico ou enfermeiro. Esta quantidade já teria sido utilizada entre os meses de janeiro e fevereiro. Ainda durante a reunião, a Maria Lúcia Neder respondeu a outros questionamentos feitos pelos trabalhadores. Ela disse que as terceirizações vão continuar e que não tem autorização do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) para realização de concurso. “Não posso deixar o hospital sem limpeza, da mesma forma que não posso deixar sem motorista e cozinheiro”, disse. Maria Lúcia comentou ainda que o relatório feito pela comissão interministerial, que esteve em janeiro deste ano avaliando a situação e o quantitativo de horas do HUJM, possui dados equivocados. Os dados corrigidos serão encaminhados até a próxima segunda-feira ao Ministério da Educação (MEC), que repassará as informações à comissão. “Ela pode aceitar ou não”. Isso significar dizer que um número maior de funcionários em determinado setor indicaria a possibilidade de redução do quantitativo de plantão. A Portaria 918, de 21 de setembro de 2009, do MEC, limitou o quantitativo de plantões em 6.132 horas mensais para médicos e enfermeiros. Não está confirmado, mas há uma indicação de aumento do quantitativo entre 9 e 13 mil horas de plantões/mês.

Edição EDIÇÃO 16966




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