CIDADES
Sábado, 30 de Novembro de 2002, 14h:54
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BOJUÍ
Gleba pode ser modelo de assentamento para o país
Um novo modelo de gestão de reforma agrária no país pode sair de uma experiência bem sucedida em Mato Grosso, mais especificamente na gleba Bojuí, no município de Diamantino, a 210 quilômetros de Cuiabá. A gleba foi aberta há seis anos, porém há dois a prefeitura colocou a questão como prioridade Felizmente o município, que tinha sua origem no garimpo, retomou sua economia através do investimento na agricultura de grande porte, que hoje está praticamente consolidada. Isso nos possibilitou, logo que assumimos, dar uma atenção maior aos pequenos, diz o prefeito Chico Mendes. Hoje no município existem mais de 1,2 mil famílias de pequenos produtores, perfazendo uma população de 6 mil pessoas, um terço do total de moradores. Com um conceito de parceria elaborado, a equipe da Secretaria de Agricultura foi buscar dinheiro para viabilizar um projeto completo para os assentamentos da região. Conseguiu que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) liberasse R$ 3,5 milhões, em etapas. No passo seguinte, a equipe convidou as mulheres do assentamento para participar de todo o processo de implantação do projeto. Isso resultou na formação da Associação das Mulheres Trabalhadoras da Gleba Bojuí, que hoje gerencia todo o projeto de forma participativa, junto com a prefeitura. As mulheres, que até então tinham como responsabilidade apenas cuidar dos filhos e quando muito da economia doméstica, passaram a ter que aprender tudo sobre tomada de preço, licitação e compras. Afinal, gerir com eficácia R$ 3,5 milhões não é uma tarefa das mais fáceis. Mas os resultados mostram que é possível. Todo o investimento até agora na gleba foi feito de forma planejada. Com um detalhe, planejamento feito a partir das prioridades estabelecidas pelos assentados e consultores da Secretaria de Agricultura e aprovados em assembléia. A gleba Bojuí hoje conta com uma infra-estrutura social que permite que as 270 famílias vivam com dignidade e com um nível de conforto que tem a maioria das famílias na zona urbana. Em algumas casas, há eletrodomésticos como geladeira, TV, som e freezers. No Centro Comunitário os associados contam inclusive com computador. A rede elétrica tem 106 quilometros de extensão e atende a todos os assentados. Assim também é a rede de água, que chega na porta dos moradores. A escola da gleba é hoje a melhor do município e atende cerca de 170 alunos. Dois ônibus escolares percorrem diariamente todo o assentamento, levando e trazendo alunos do da 1ª a 4ª séries para a escola da agrovila e alunos dos outros cursos para a escola situada na zona urbana. No Centro de Saúde, cinco agentes de saúde e um auxiliar de enfermagem prestam assistência aos assentados. Os agentes fazem a triagem dos casos que devem ser encaminhados para Diamantino, que fica a 30 quilômetros da gleba.