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CIDADES
Quarta-feira, 01 de Julho de 2009, 21h:00

CASO EIKO

Gaeco deve investigar

Caso haja ligação da morte da estudante com envolvidos na Operação Gafanhoto, promotores vão atuar na apuração

KEITY ROMA
Da Reportagem
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) poderá auxiliar as investigações sobre o homicídio da estudante de Direito Eiko Nayara Uemura, morta aos 23 anos em abril. Uma das hipóteses de motivação do assassinato seria “queima de arquivo”, pelo envolvimento com o esquema de extorsão e estelionato desarticulado na Operação Gafanhoto e supostamente chefiado pelo tio da vítima, Júlio Uemura. Outra linha de investigação deverá apurar também o relacionamento extraconjugal da jovem com o advogado Sebastião Prado, que é casado. Dias antes de morrer, ela fez uma procuração dando poderes a ele e ainda lhe entregou jóias que ela furtou do cofre da prima com quem morava, Gisselma Uemura. Apesar de Sebastião ter entregue 16 peças valiosas ao Gaeco, após ser intimado pela polícia, a família alega que faltam muitos objetos. “Se as informações policiais evoluírem para um indício de ligação da morte com queima de arquivo, entraremos na investigação. Nesse momento, podemos oferecer apoio ao promotor de Chapada dos Guimarães, que agora é quem acompanha a apuração do homicídio”, disse o promotor de justiça Arnaldo Justino da Silva. Um novo promotor deve assumir a unidade de Chapada na quinta-feira, já que Jaime Romaquelli foi promovido. O nome de Eiko consta entre os 30 denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE) na Operação Gafanhoto. Apontada como “laranja”, constava no nome da estudante duas empresas, MX Comercial LTDA e Eikon Atacado de Alimentos, utilizadas para adquirir produtos de hortifrutigranjeiros, aplicando golpes em produtores rurais que não recebiam pelas vendas. A sede da MX Comercial funcionava no mesmo endereço da empresa Tradexco, gerenciada por Renê Santos, o principal “testa de ferro” de Júlio Uemura, segundo o MPE. Renê se passava pelo dono da Tradexco, Laerte Feijó, para fechar as negociações com produtores rurais. “A MX recebeu produtos comprados pela Tradexco. Em depoimento, o Laerte, que é analfabeto, disse que recebia um valor simbólico mensal do Renê, cerca de R$ 500, o que mostra que ele não tinha acesso ao lucro da empresa, era só um “laranja””, apontou Silva. Apesar das empresas em seu nome, Eiko estagiava em um escritório de advocacia. Ela foi criada pela prima Gisselma Uemura, filha de Júlio. A estudante era fruto de um relacionamento entre Célia Maria Procedino e Edson Uemura, que há 10 anos foi denunciado pelos mesmos crimes dos quais o irmão Júlio agora é acusado. Iniciado na Delegacia de Chapada dos Guimarães, o inquérito policial sobre a morte de Eiko chegou ontem à Diretoria da Polícia Civil e será entregue à Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). A transferência ocorreu em virtude de o laudo de exumação do Instituto Médico Legal, ocorrida no dia 30 de maio, ter comprovado a tese de espancamento e assassinato, anteriores ao corpo ter sido atirado no Portão do Inferno, na estrada para Chapada. Os laudos anteriores do IML tinham levado o delegado João Bosco a confirmar a tese de suicídio. “Me baseio em laudos técnicos para investigar, não sou legista”, disse. O corpo de Eiko foi encontrado no precipício na manhã do dia 29 de abril. O carro dela estava no ponto turístico com as portas abertas e a chave no chão, além de um bilhete de despedida para duas pessoas.

Edição EDIÇÃO 16963




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