CIDADES
Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010, 20h:53
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40 ANOS
Futuro de tecnologia e expansão em Mato Grosso
Atores atuais da UFMT avaliam como será avanço nos próximos 40 anos
Quase toda comemoração de aniversário é considerada o encerramento de uma etapa e o início de outra. Como tal, na semana passada os quarenta anos comemorados pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) deram o tom de que a instituição agora entra num novo ciclo. Mas quais as previsões para os próximos quarenta anos desta instituição que mudou a história do Estado? As ideias de estudantes, técnicos, professores e da administração variam, mas seus respectivos representantes enxergam uma universidade muito mais espalhada pelo território de mato-grossense, referência em estudos ambientais, com doutores atuando na totalidade dos cursos (que serão mais empreendedores e acompanharão a economia do Estado), com mais alunos oriundos de outros estados, participando de mais programas de cooperação internacional e com a informática como elemento onipresente nas salas de aula. Por outro lado, também se prevê que a tecnologia será priorizada em detrimento da presença do professor em sala e que as áreas verdes diminuirão no campus de Cuiabá. Uma das previsões mais polêmicas para o futuro da instituição e das pessoas convivendo nela é do professor Carlinhos Eilert, presidente da Associação dos Docentes da UFMT. Devido ao modo com o qual a UFMT aderiu ao Enem unificado, nos próximos 40 anos ele prevê que cada vez mais haverá estudantes vindos de outros estados nos principais cursos oferecidos pela UFMT, como Direito e Medicina. Já dentro do próprio Estado, o professor afirma que logo a instituição precisará atender ao anseio popular de uma unidade (campus) na região noroeste de Mato Grosso. Para ele, trata-se de uma área com economia suficiente para justificar o investimento federal em ensino superior, pesquisa e extensão. Mas além de mais espalhada pelo Estado, a UFMT deverá fortalecer seu campus em Sinop (a 500 Km de Cuiabá), prevê a técnica administrativa Léia de Souza Oliveira, do Sindicato dos Técnicos da UFMT. Para ela, nada mais razoável que acompanhar o eixo de desenvolvimento do Estado levando mais cursos para o campus que abrange o pujante Nortão. Dentro das salas de aula, a técnica vislumbra os recursos da informática sendo utilizados corriqueiramente por professores e alunos. Ela destaca que uso semelhante de recursos tecnológicos tem impulsionado a modalidade de ensino à distância atualmente, mas pondera que o fator presença ainda assim será preponderante nas relações entre alunos e professores. E será grande a chance de que esses professores sejam doutores, se depender da previsão da reitora Maria Lúcia Cavalli Neder. Ela se baseia no fato de que, hoje, cerca de 90% dos cursos da instituição já contam com professores com doutorado. E se há uma área em que esses cursos terão condições de se destacar, ela opina, será nos estudos ambientais. Cavalli defende o foco da UFMT nos cursos que lidem com esses assuntos devido à existência de demandas muito práticas no Estado de conhecimento científico a respeito. Será necessário a UFMT oferecer soluções para fenômenos objetivos, como o assoreamento dos nossos rios. Além de mais propositiva, ela enxerga uma instituição que desenvolva mais o empreendedorismo nos seus cursos, contribuindo mais para o mercado de trabalho tanto quanto já contribui para o meio acadêmico. Uma necessidade atual. Por sua vez, o Diretório Central dos Estudantes alerta para a tendência já demonstrada de diminuição das áreas verdes no próprio campus de Cuiabá, que hoje é um grande canteiro de obras. O coordenador Daniel Bretas também ironiza a tendência de amplo e talvez prejudicial - uso dos recursos tecnológicos, tal como na Educação à Distância, a ponto de suprimir a presença dos professores.