CIDADES
Terça-feira, 22 de Dezembro de 2015, 20h:06
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ASSASSINATO NA ALDEIA
Funai tenta proteger índios Enawenê
YURI RAMIRES
Da Reportagem
Dez dias após a Polícia Federal apontar três índios Enawenê-Nawê como atores do duplo assassinato ocorrido em Juína no último dia 09, a Fundação Nacional do Índio (Funai) disse que está acompanhando as investigações e pede cuidado para evitar a criminalização de toda comunidade indígena da etnia. De acordo com a nota encaminhada pela assessoria de imprensa do órgão, logo após o ocorrido, a Funai acionou o Ministério da Justiça a fim de solicitar a Polícia Federal na Região. Também solicitou a presença da Força Nacional de Segurança, devido ao clima de tensão que se estabeleceu no local. Isso foi necessário, também, uma vez que a sede da Funai em Juína foi alvo de atentados. A fachada do órgão foi depredada ao menos três vezes. Desde então, a Polícia Militar da cidade aumentou o efetivo nas ruas, para evitar novos registros de violência, seja física ou contra o patrimônio. Por motivos de segurança dos funcionários, a Coordenação Regional da Funai foi fechada por alguns dias, voltando a funcionar desde a última quinta-feira (17), após a chegada da Força Nacional que trabalha garantindo a segurança dos servidores e do patrimônio público. O órgão explicou que aguarda ainda a finalização do inquérito policial para formar uma posição mais precisa sobre os fatos, no entanto, fez um alerta para as tentativas equivocadas de criminalizar toda a comunidade indígena Enawenê-Nawê. Por fim, foi informado que estão colaborando com as forças policiais para que os responsáveis pelos crimes sejam identificados e responsabilizados. Mesmo depois de toda a repercussão do caso, os índios não se intimidaram e continuaram a cobrança de pedágio na rodovia MT-170. Por segurança, a PM aconselhou os moradores de Pontes e Lacerda que, por enquanto, procurem outro caminho caso precisem se descolar, evitando assim passar pelo pedágio. Os três índios apontados como os responsáveis pelas mortes serão denunciados à Justiça. Familiares e amigos das vítimas cobram uma punição. O inquérito da PF corre em segredo, portanto, informações sobre em que pé estão os processos serão obtidas apenas pelas partes interessadas. CRIME Dois amigos foram mortos pelos índios dessa etnia após supostamente terem furado a barreira indígena na MT-170. Eles ficaram dois dias desaparecidos, até que no último sábado (12) os corpos foram entregues à PF. O delegado Hércules Ferreira Sodré, apontou que três índios foram os responsáveis pela execução. Um dos homens morreu com seis tiros e o outro foi torturado e em seguida morto com diversas pancadas.