CIDADES
Sábado, 19 de Abril de 2008, 15h:34
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PROGRAMA FEDERAL
Freira ameaçada não crê em proteção
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Ameaçada de morte por causa da disputa de terras no interior de Mato Grosso, a freira Leonora Brunetto, 63 anos, só acredita na eficácia do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos do governo federal, apresentado semana passada à Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), se estiver sob a coordenação de pessoas realmente preocupadas em promover e defender os direitos humanos. Quem deve coordenar não é o governo, mas a sociedade ou as organizações que defendem quem está sendo ameaçado, disse. A maioria dos governos é de ruralistas, produtores de soja ou gado e não vai defender o pobre coitado que está lá na terra trabalhando, acrescentou. Segundo ela, exemplo disso ocorre em Brasília. Aí vale à pena. Aí a gente sentiria mais segurança porque quem está na frente realmente se preocupa com você, comentou. Na última quinta-feira, o coordenador nacional do programa, Fernando Matos, apresentou-o ao secretário Diógenes Curado, da Sejusp. O Estado deverá ser o quarto do país a implantá-lo. O objetivo é estabelecer princípios e diretrizes de proteção e assistência à pessoa física ou jurídica, grupo, instituição, organização ou movimento social que promove, protege e defende os direitos humanos em função de sua atuação e atividade e que, nessas circunstâncias, encontra-se em situação de risco ou vulnerabilidade. O programa vai ter uma coordenação estadual com a participação de representantes de órgãos federais, estaduais e da sociedade civil organizada. A coordenação estadual deverá atuar não somente diante das denúncias, mas também na sua origem. Irmã Leonora Brunetto é integrante da Comissão Pastoral da Terra de Alta Floresta, no norte do Estado. Desde 2003, ela acompanha cerca de 350 famílias do acampamento Renascer, em Nova Guarita, cujas terras seriam de Sebastião Neves de Almeida, conhecido como Chapéu Preto. A área já foi palco de diversos confrontos fundiários, levando inclusive à morte os trabalhadores rurais Vanderlei Macena Cruz e Mauro Gomes Duarte, em 2005. Ao dizer que não se sente tranqüila, irmã Leonora lembra que a última ameaça velada feita a ela foi no início do ano passado. Mandaram um recado dizendo que o caixão estava pronto. Hoje, os ameaçadores estão mais espertos, mais quietos, disse. Para ela, as ameaças partem de um grupo de fazendeiros, que estão todos unidos. A irmã Leonora também acompanha cerca de 200 famílias do acampamento Nhandu, em Novo Mundo. Lá, segundo ela, dois trabalhadores rurais, um de 21 e outro 28 anos, desapareceram após ameaças. O menino de 21 anos desapareceu há 3 meses. Entraram com uma caminhonete no barraco onde ele morava e sumiram. Devem ter matado. O de 28 anos foi ameaçado em cima de uma ponte e também sumiu, contou a irmã.