CIDADES
Quinta-feira, 09 de Abril de 2015, 20h:51
A
A
GRILAGEM
Famílias terão que sair de área verde
Pessoas que ocuparam área de preservação permanente (APP) na região do CPA terão que desocupar o espaço até no dia 4 de maio
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Localizada nos fundos Residencial Wantuil de Freitas, região do Grande CPA, em Cuiabá, uma área verde e de preservação permanente (APP) deu lugar a dezenas de casas de alvenarias e, hoje tem, lotes sendo comercializados por até R$ 10 mil. No início deste mês, a Prefeitura notificou as famílias para que deixem o lugar. Mas, elas alegam que estão em busca da casa própria. Na capital, há pelo menos outros 30 espaços públicos ocupados irregularmente. O grilo começou há três anos. Aos invasores foi dado o prazo de 30 dias para que deixem a área, denominada de Videira. Aqueles que insistirem em permanecer deverão ser retirados no próximo dia 04 de maio. Essa será a segunda retirada a ser feita, afirmou o secretário de Ordem Pública, coronel Eduardo Henrique de Souza. Ontem pela manhã, apesar da notificação, algumas casas estavam em obras. De acordo com coronel Henrique, são poucas as famílias que realmente precisam. Muitos moram em outro local e marcam o terreno para especulação (imobiliária). As condições da maioria são melhores do que daquelas famílias do Santa Amália", disse comparando a situação econômica dos ocupantes do Videira com a das pessoas que grilaram uma área de preservação permanente, localizada no Bairro Santa Amália. Lá, a desocupação foi feita em dezembro do ano passado. Como exemplo, ele cita ainda a construção de um sobrado de 200m quadrados, o que serve para mostrar que o responsável pela obra tem condições financeiras de adquirir ou comprar um imóvel. Segundo coronel Henrique, já há lotes sendo vendidos por R$ 10 mil no local. Entretanto, as famílias alegam que o Videira estava abandonado e servindo para esconderijo de bandidos e desmanche de carro e motocicletas. Coordenador do Videira, Leônidas de Oliveira argumenta ainda que, ao contrário do que a Prefeitura diz, é um esgoto que hoje passa pelo terreno ocupado. Se fosse área verde (o município) não poderia ter autorizado passar uma rede de esgoto que vêm dos condomínios acima, criticou. Ele também rebate a venda de lotes como exploração imobiliária. Segundo Oliveira, são 93 famílias, sendo que 60% estão no lugar desde o início da invasão. O restante (40%), por motivos alheios ou particulares, precisou mudar e, como forma de reembolso, cobrou dos novos ocupantes pelo que investiram no terreno. Mas, não saíram por especulação, afirma. A Prefeitura diz que são 34 famílias. Desempregada, Elizabeth de Oliveira, de 38 anos, não aceita a possibilidade de ter que deixar o lote, onde ela e o marido, que é pedreiro, ergueram uma residência de alvenaria com dois quartos, cozinha e banheiro. Construímos essa casa carregando balde por balde de água. Sofremos muito para virem aqui e derrubar tudo. Seria muita crueldade, acredita. Beth, como é chamada, diz que está desempregada e que já tentou por diversas vezes inscrever-se em um programa habitacional, mas nunca conseguiu. Ela defende, inclusive, a construção do sobrado no terreno ocupado. Parece que a intenção do dono é montar uma casa de recuperação, comentou. Os invasores pretendem recorrer à Justiça para tentar evitar o despejo. Já a intenção da Prefeitura, após a desocupação, é ouvir os moradores da região para decidir a melhor forma de aproveitar a área e evitar que nova ocupação aconteça. Cortado pelo córrego Vassoural, o espaço público compreende uma extensão de aproximadamente 12 mil/m2 de área verde, contando, inclusive, com um campo de futebol, e outros 20 mil/m2 de APP. OUTRAS ÁREAS - Um levantamento preliminar da Prefeitura mostra que ao menos outros 30 espaços públicos, que pertenciam à antiga Sanecap, estão ocupados irregularmente, na capital. Todos eles, segundo o coronel Eduardo Henrique de Souza, serão desocupados, em breve. "Vamos notificar e dar prazo de 30 dias para sair. Após, vamos voltar com operação para retirar quem insistir em ficar", garantiu. Essas invasões ficam em bairros, como o Pedra 90, Altos da Serra e Estrada de Ferro, após o Três Barras.