CIDADES
Terça-feira, 09 de Junho de 2009, 22h:21
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VÁRZEA GRANDE
Famílias são despejadas do 15 de Maio
DANA CAMPOS
Da Reportagem
Cerca de 200 pessoas foram retiradas de uma área particular localizada no bairro 15 de Maio, em Várzea Grande. A decisão de desapropriação de posse foi concedida nesta segunda-feira pelo juiz da 2ª Vara Civil da cidade, Marcos José Martins de Siqueira. Conforme a determinação, a retirada das famílias instaladas indevidamente na propriedade de aproximadamente 28 hectares deveria ser feita com o apoio da Polícia Militar. Participaram da ação de despejo aproximadamente 20 policiais armados com revólveres e escopetas. Conforme os posseiros, a área não dispunha de cerca, nem mesmo vigilância. Aqui é depósito de cadáver. Já foram encontrados dois corpos nesse matagal. Sem falar na bandidagem que vive aqui para usar drogas e nos assaltos que costumam ocorrer, porque eles sabem muito bem que dá para fugir para dentro desse matagal, reclamou a dona-de-casa, Suelen de Souza, de 24 anos, mãe de três filhos. Outro que não se conformou com a decisão foi o pedreiro Gilmar Moreira de França, de 36 anos. A área não tinha nada que mostrasse que tinha dono. Estava tudo abandonado e cheio de mato, disse Gilmar, afirmando que os posseiros estavam na área desde o último dia 29. A gente não quer nada de ninguém, o que a gente quer é ter um lugar para morar, porque ninguém tem condições de pagar aluguel, explicou a dona-de-casa Anair Dias da Silva, de 55. O proprietário da área, que pediu para não ser identificado, se manifestou através do advogado Flávio Bertin. O defensor afirmou que toda a área estava demarcada e que esteve sem marcação por três vezes, devido a furtos praticados por terceiros. O último, ocorrido no dia 28, favoreceu a invasão. Pois, no dia seguinte, meu cliente soube da situação. Foi aí que ele registrou boletim de ocorrência, como forma de garantir seus direitos, explicou Bertin, afirmando que durante audiência realizada no fórum de Várzea Grande, foi apresentado o processo que dispunha em anexo a escritura pública da área, adquirida em 2001, e também os comprovantes dos impostos estaduais e municipais pagos pelo seu cliente. De acordo com o advogado, alguns dos posseiros chegaram a dizer que a invasão foi motivada por empresários que têm interesse na área. E que um dos líderes da ação de apropriação da terra, Ruinir Leite da Silva, tinha passagem pela polícia. Os moradores dos bairros Vitória Régia e Souza Lima que ficam aqui na região recebiam o convite dele para participar da invasão, acusou.