CIDADES
Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008, 20h:11
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CONSTRUMAT
Famílias invadem 2 mil m2 de área em VG
Cerca de 60 famílias sem-teto limparam terreno para instalar suas casas, alegando não poder pagar aluguel e não ter incentivo de moradia do poder público
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Famílias de sem-teto invadiram há uma semana uma área de cerca de 2.000 metros quadrados no bairro Construmat, próximo à avenida da FEB, em Várzea Grande. Além das condições financeiras, elas alegam que o terreno estava abandonado e servindo de esconderijo para bandidos e usuários de droga. Ontem pela manhã, um trator alugado pelos sem-teto fazia a limpeza do lugar, onde pretendem se instalar cerca de 60 famílias. O valor do serviço, R$ 2.000, foi dividido entre os invasores. Todos aqui são de baixa renda, não têm teto e nem condições de pagar aluguel, afirmou a vendedora ambulante Dina Silva, 40 anos. Ao falar, Dina Silva se mostrava extremamente descontente com o poder público. Somos famílias abandonadas. Em Várzea Grande, não tem programa social e não tem moradia para famílias de baixa renda, disse. Em contrapartida, a marginalidade cresce na cidade. Se for para sair daqui, que o governo arrume casa para toda essa gente morar, acrescentou. Segundo os invasores, além de estupros, a área que estava tomada pelo mato servia para facilitar a ação de marginais. A aposentada Maria dos Anjos, 64 anos, mora próximo do terreno invadido e conta que um homem, que se passava por um mendigo, costumava ficar no local e que, se não fosse pela ajuda de vizinhos, a teria assaltado. Por pouco eu não fui assaltada, comentou. A área fica em uma região que ao longo dos anos vem sendo grilada por famílias carentes. Próximo do local há um córrego, cujas margens já contam com várias construções, inclusive, de alvenaria. Um exemplo é a dona-de-casa Leila Domingos do Nascimento, 37 anos. Ela mora há cinco anos em um barraco de tábua, de apenas uma peça, nos fundos da casa da mãe, que fica a aproximadamente dois metros do córrego. Na peça, segundo ela, abriga ainda outras cinco pessoas, sendo duas crianças de dois meses e nove anos. Sou separada e vivo da revenda de cosméticos. Se pego R$ 10, já vai para o mercado. Não sobra nada, contou. Além da limpeza da área, alguns barracos já começam a ser levantados. Os invasores afirmam que não pretendem abandonar o local. A prefeitura e quem se diz proprietário nunca limpou o terreno. Precisou que pessoas que precisam de casa para morar fizessem o serviço. O terreno seria de propriedade dos empresários Joel e Jorge Bulhões. A reportagem do Diário manteve contato com uma funcionária do grupo, identificada como Rosane, que se limitou a dizer apenas que os empresários não falariam sobre o assunto.