CIDADES
Sexta-feira, 05 de Outubro de 2012, 21h:30
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SEM ESTRUTURA
Família desiste da doação
Advogado diz que é muito sofrimento ter que aguardar 48 horas até a chegada de uma equipe de São Paulo para fazer o procedimento
Laura Nabuco
Da Reportagem
Por falta de uma equipe médica especializada em captação de órgãos no Estado, o candidato à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Mato Grosso (OAB-MT) Pio da Silva desistiu de doar os órgãos da sua filha que faleceu na última quinta-feira (4). Conforme a coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Fátima Mello, apenas uma retirada de órgãos foi realizada em Mato Grosso desde o início do ano. Por meio da assessoria, o advogado alegou que não queria prolongar o sofrimento da família com a perda da filha. Acontece que, se concordassem com o procedimento, eles teriam que aguardar mais 48 horas pela liberação do corpo. Tempo necessário para que uma equipe de médicos de São Paulo se deslocasse até Cuiabá para realizar a retirada dos órgãos. Thallita da Silva tinha 23 anos e sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A morte encefálica quando apenas o cérebro para de funcionar - foi confirmada e a família chegou a concordar com a doação inicialmente. Para a presidente do Sindicato dos Médicos do Estado (Sindimed), Elza Queiroz, os transplantes de órgãos são um marco do retrocesso da medicina mato-grossense. Os procedimentos não são realizados há 10 anos. É uma coisa inacreditável, porque são procedimentos que nós já chegamos a realizar. Eu mesma participei de vários transplantes de rins e hoje isto não é mais feito sabe-se lá por quê, reclama. A coordenadora da Central afirma que uma equipe, formada por dois médicos, um enfermeiro e um instrumentista, já foi capacitada para o procedimento de captação de órgãos. Eles realizaram um curso em São Paulo no mês passado. O grupo não atua, no entanto, porque a Secretaria de Estado de Saúde (SES) aguarda a abertura do Hospital dos Transplantes. Como há a previsão desse hospital, o Estado preferiu esperar ter uma unidade própria credenciada para este serviço, do que ficar dependendo da rede privada. Assim poderia oferecer algo com mais consistência à população, alega. Enquanto isso, o governo tem investido na capacitação de profissionais, segundo ela. Além da equipe de captação de órgãos, ofereceu curso a 15 neurologistas que atuam em hospitais da Capital na identificação de mortes encefálicas. Eles dão o diagnóstico e realizam os exames necessários aos transplantes exigidos pelo Ministério da Saúde. Por meio de nota, a SES afirma que já cumpriu diversas etapas para implantação do Hospital dos Transplantes e que aguarda apenas a liberação de R$ 15 milhões por parte do Ministério da Saúde. Recurso este que já está garantido e será aplicado na compra de equipamentos. Conforme a pasta, os pacientes que precisam do procedimento são encaminhados para hospitais de referência de São Paulo ou Curitiba. Desde janeiro, 147 pessoas foram encaminhadas para estas unidades para transplantes.