CIDADES
Quinta-feira, 25 de Junho de 2015, 20h:05
A
A
TRÂNSITO
Falta conscientização
O uso do cinto de segurança no banco de trás ainda não pegou, mas ele faz a diferença em caso de acidente
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
As mortes do cantor sertanejo Cristiano Araújo e de sua namorada, Alanna Moraes, reacenderam a discussão sobre a importância do uso cinto de segurança também para quem viaja no banco de trás. Embora o uso do equipamento nos bancos dianteiros e traseiros seja uma obrigatoriedade prevista em lei, a quantidade de multas emitidas pelas autoridades públicas ligadas ao trânsito mostra que falta consciência por parte de condutores e passageiros. De acordo com dados da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) de Cuiabá, apenas no primeiro semestre deste ano foram expedidas 4.047 multas pelo fato de o motorista deixar de utilizar o cinto. No mesmo período, foram emitidos outros 345 autos de infração referentes à falta de uso do equipamento por parte dos passageiros. É um número alto. Falta conscientização, afirmou o diretor de Trânsito da Semob, Gustavo Albino. O acidente envolvendo o cantor, a namoradora e outras duas pessoas ocorreu na última quarta-feira, na Rodovia Transbrasiliana (BR-153), entre Goiatuba e Morrinhos (GO). O casal estava no banco de trás e os indícios encontrados pela polícia são de que eles não estavam de cinto. Nos assentos dianteiros, estavam o motorista e segurança do artista, Ronaldo Ribeiro, e o empresário Victor Leonardo, que usavam o dispositivo de segurança e não apenas sobreviveram, como tiveram somente ferimentos leves. A tragédia também serve de alerta para o fato de que as bolsas do airbag, que foram deflagradas no momento do acidente, só são eficazes em conjunto com o uso do cinto. Isso porque os airbags funcionam como uma complementação do cinto, agindo com o objetivo de reter o movimento para frente ou para os lados dos ocupantes do veículo. A importância do dispositivo é reforçada ainda pelo estado em que ficou o carro, um Range Rover Sport, em que as vítimas estavam. O veículo ficou bastante danificado na parte da frente, onde se encontravam os sobreviventes. Já a parte traseira ficou preservada. Entretanto, a falsa sensação que as pessoas têm de que, estando no banco traseiro, estão mais protegidas e de que não correm risco de serem arremessadas do carro no caso de uma colisão, faz com que muita gente deixe de usar o equipamento. Segundo estudos, no caso de uma colisão o corpo do passageiro do banco de trás é atirado para frente com uma força até 50 vezes maior que seu peso, provocada pela desaceleração do veículo. Já a utilização do cinto reduz em até 60% os traumas de coluna e em 40% as lesões no tórax e abdômen. Conforme Gustavo Albino, o não uso do cinto de segurança, tanto no banco da frente, como atrás, é passível de multa no valor de R$ 127,69; a infração é considerada grave e conta cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).