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Cuiabá MT, Domingo, 07 de Junho de 2026

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Sexta-feira, 20 de Março de 2026, 13h:31

BAIXADA CUIABANA

Expedição liderada por deputado revela descaso no saneamento em MT

Ponto que mais chamou atenção foi a falta de acesso à água tratada, notadamente entre os ribeirinhos

Da Redação
Divulgação
Expedição liderada por deputado constatou, entre outros problemas, esgoto não tratado no Rio Cuiabá, na região do Porto

A falta de saneamento básico na Baixada Cuiabana foi apontada como um dos principais problemas estruturais enfrentados pela população, após a 3ª Expedição Fluvial pelo rio Cuiabá, liderada pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD), entre os dias 9 a 13 deste mêso.

Diante do cenário observado ao longo do percurso, na quarta-feira (18), ele adiantou à imprensa que vai cobrar do futuro governador Otaviano Pivetta (Republicanos) a inclusão de recursos específicos para o setor no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, que será encaminhado à Assembleia Legislativa nos próximos meses.

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Expedição percorre 900 km pelo Rio Cuiabá e encerra no Pantanal

A expedição percorreu cerca dee 900 km, desde a região do Rio Manso até o Pantanal, passando por Cuiabá, Várzea Grande, Rosário Oeste, Nobres, Acorizal, Chapada dos Guimarães, Santo Antônio de Leverger, Barão de Melgaço e Poconé.

Ao longo do trajeto, a comitiva - formada por 25 profissionais - ouviu comunidades ribeirinhas, pescadores, lideranças locais e representantes de instituições públicas, além de observar in loco as condições ambientais e sociais da população que depende diretamente do rio Cuiabá.

As informações coletadas irão subsidiar um relatório técnico que será encaminhado aos órgãos competentes.

De acordo com Wilson Santos, a situação encontrada é grave, especialmente pela ausência de políticas públicas consistentes voltadas ao saneamento básico.

Ele destacou que o ponto que mais chamou atenção foi a falta de acesso à água tratada, principalmente entre as populações ribeirinhas.

“O assunto é muito sério. A Baixada Cuiabana tem um grave problema e uma pobreza imensa nas águas subterrâneas e nós temos o dever de cuidar das águas superficiais. Muitas famílias estão comprando água potável em garrafões. É uma ironia, porque vivem às margens dos rios e não têm acesso à água de qualidade”, afirmou.

O deputado também citou o caso de Barão de Melgaço (135 km ao Sul de Cuiabá), onde a principal estrutura de captação e tratamento de água foi construída em 1984 e, atualmente, se encontra em condições precárias.

Segundo ele, a realidade evidencia o abandono histórico do setor, sobretudo, nas comunidades mais vulneráveis.

Outro ponto observado, durante a expedição, foi o acúmulo de lixo ao longo do rio, especialmente a partir de Várzea Grande, o que reforça a necessidade de investimentos em educação ambiental e em políticas públicas integradas.

Wilson Santos criticou ainda o baixo volume de recursos destinados pelo Governo do Estado ao saneamento básico.

De acordo com o parlamentar, nos últimos anos o investimento não chega a 0,01% do orçamento anual.

“Não existe uma cultura para olhar para o saneamento básico. É um problema secular. É preciso discutir a peça orçamentária com responsabilidade para garantir recursos aos municípios”, disse ele. E reforçou que vai levar a pauta diretamente ao futuro chefe do Executivo, cobrando prioridade no planejamento orçamentário.

A análise técnica feita pelo engenheiro hidráulico e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Rafael Petrollo de Paes, que integrou a expedição, reforça a gravidade do cenário.

Segundo ele, apesar das particularidades de cada município, há problemas comuns em toda a bacia do rio Cuiabá.

“Cada região tem sua particularidade, mas existe uma característica macro. Cuiabá e Várzea Grande concentram grande produção de esgoto e lixo, o que gera uma situação muito ruim”, explicou.

O especialista destacou ainda a importância do cumprimento da Lei nº 11.445/2007, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, como a universalização do acesso à água potável, o tratamento de esgoto, a limpeza urbana e o manejo adequado de resíduos sólidos.

A legislação também determina que os municípios tenham planos de saneamento básico, com metas de curto, médio e longo prazo, como instrumento essencial para a efetividade das políticas públicas.

Dados do Instituto Trata Brasil revelam um cenário desigual entre os municípios da região.

Cuiabá ocupa a 9ª posição no ranking nacional de saneamento entre capitais e lidera, pelo quinto ano consecutivo, o investimento médio anual por habitante.

Apesar dos avanços, a cidade ainda enfrenta desafios importantes, como o fato de apenas 48% do esgoto coletado ser tratado e perdas de água que chegam a 53% na distribuição.

Por outro lado, Várzea Grande apresenta um dos piores desempenhos do país, ocupando a 97ª posição entre os 100 maiores municípios brasileiros. A cidade coleta apenas 19,1% do esgoto e trata cerca de 16,6%, além de registrar baixos níveis de investimento - aproximadamente R$ 47 por habitante ao ano, valor inferior a 20% do necessário para a universalização dos serviços, conforme parâmetros do Plano Nacional de Saneamento Básico.

Outro problema crítico é a perda de água tratada, que ultrapassa 55%.

Para Wilson Santos, os dados confirmam o que foi observado durante a expedição e reforçam a urgência de medidas estruturantes.

“O Pantanal vem perdendo muita água nos últimos anos e é preciso reagir. O Plano da Bacia do Rio Cuiabá, executado pela UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) está avançado e deve ser apresentado ainda este ano. Precisamos garantir que ele seja aprovado e executado com responsabilidade pelos gestores”, completou.

A expectativa é de que o relatório final da expedição contribua para embasar decisões do poder público e impulsionar investimentos capazes de transformar a realidade do saneamento básico na Baixada Cuiabana, especialmente nas áreas mais vulneráveis e nas comunidades ribeirinhas que hoje vivem sem acesso à água tratada e serviços essenciais.


Edição edição 16957




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