CIDADES
Segunda-feira, 09 de Agosto de 2010, 19h:29
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AMAZÔNIA
Estado perde a liderança no desmate
Levantamento da devastação no bioma em junho mostrou que MT degradou 36,5 Km2 contra 16,63 Km2 do Pará, líder da ação no mês, segundo Inpe
CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
Depois de três meses seguidos liderando o ranking dos estados que mais desmataram a Floresta Amazônica, Mato grosso cedeu o lugar ao Pará no mês de junho. No período, 243,74 quilômetros quadrados (Km2) de floresta sofreram ao todo corte raso ou degradação progressiva. Deste, o Pará desmatou 160,63 km2, enquanto Mato Grosso derrubou 36,5 km2 da mata. Em terceiro lugar, está o Amazonas, com 24,36 km2 de devastação. Os dados são do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No mês de maio, Mato Grosso ficou em primeiro lugar no desmatamento, com 51,9k m2 de floresta atingidos por corte raso ou degradação. O Pará veio em seguida, com 37,2 km2. No total, foram devastados 109,6 km2 da Amazônia no mês. Já no período de agosto de 2009 a junho de 2010, foram desmatados 1.808 km2, número 49% menor do que o registrado entre agosto de 2008 e junho de 2009, quando o desmate da Amazônia foi de 3.536 km2. A queda no desmatamento da Floresta Amazônica em Mato Grosso não surpreende o secretário-adjunto da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Salatiel Araújo. Na verdade, a tendência de queda no desmatamento está acontecendo desde 2003. Tivemos pequenas elevações em 2007 e 2008, mas no resto do tempo, houve diminuição de floresta devastada, disse. Araújo citou como exemplo a área desmatada entre agosto de 2009 a junho de 2010. De acordo com ele, foram derrubados 597,59km2 de floresta nesse período, no Estado, enquanto que entre agosto de 2008 e junho de 2009, foi devastada uma área de 1.304 km2. Para o secretário, o fator visibilidade deve ser levado em conta quando se trata da constante liderança de Mato Grosso no ranking dos Estados que mais desmatam a Amazônia. Não podemos ignorar o fato de que MT tem menor incidência de nuvens do que os outros estados analisados. Sendo assim, a possibilidade de ser detectado algo aqui é muito maior, destacou. Os dados do Deter não apresentam avaliação fiel do desmatamento por causa da cobertura de nuvens, que varia de um mês para outro, e da resolução dos satélites. Pelas mesmas razões, o Inpe não recomenda que os dados de diferentes meses e anos sejam comparados. O Deter é um sistema de alerta para suporte à fiscalização e controle de desmatamento e está em operação desde 2004. Indica áreas de corte raso (quando a floresta nativa é retirada) e áreas classificadas de degradação progressiva (revelam o processo de desmatamento na região). O desmatamento mensal é calculado pelo Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real que monitora áreas que têm mais de 25 hectares e direcionam a fiscalização ambiental. A taxa anual do desmate da Floresta Amazônica é calculada pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes). O sistema é mais preciso porque avalia áreas menores. Os números do desmatamento devem ser apresentados em novembro. No ano passado, a taxa anual de desmatamento calculada pelo Inpe foi de 7,4 mil km2, a menor registrada em 20 anos.