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CIDADES
Segunda-feira, 17 de Junho de 2013, 20h:48

SAÚDE

Especialidades escassas no interior

Mato Grosso sofre com a carência de cirurgiões cardíacos, neurocirurgiões, infectologistas e psiquiatras. Para o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), os baixos salários aliados a falta de planos de carreiras e condições de precárias de trabalho afastam os profissionais do interior e os municípios ficam por logos períodos sem especialistas. Em Sorriso (420 km ao norte de Cuiabá), 29 pessoas morreram em 2012, devido à ausência de neurocirurgiões. Os dados foram anunciados em uma audiência pública realizada no município na última sexta-feira (14). O Hospital Regional de Sorriso recebeu 210 pacientes que precisavam do serviço de neurologia no último ano e ao todo 37 vieram a óbito. De acordo com a presidente CRM, Dalva Alves das Neves, a falta de profissionais reflete diretamente na qualidade da saúde da população do estado, principalmente do interior, onde o número de profissionais especialistas é ainda mais reduzido do que na Capital. Neves afirmou que em Cuiabá existem três equipes de neurocirurgiões para atender toda a demanda da Baixada Cuiabana. O município de Sorriso tem até o momento apenas um neurologista e o neurocirurgião mais próximo fica a 80 quilômetros de distância, no município vizinho, Sinop (500 km a norte de Cuiabá). Segundo a presidente, não há nenhum cirurgião cardíaco no interior do estado de Mato Grosso. “Essa é uma das especialidades que temos mais urgência, pois todas as operações cardíacas têm que ser realizadas na Capital.” A presidente explica que diversos profissionais chegam a ser contatados pelas prefeituras, porém, não fica muito tempo nos municípios por conta das baixas condições de trabalho. Em maio, o DIÁRIO publicou uma matéria sobre o assunto. Conforme a publicação, o município de Vila Rica (1.259 km nordeste de Cuiabá) ficou sem nenhum médico durante todo ano de 2012 e os atendimentos de baixa complexidade eram realizados por enfermeiros. O município de Novo Santo Antônio (1.063 km a nordeste de Cuiabá) ficou três meses sem profissionais e teve que recorrer a remoções aéreas para tentar amenizar o problema. O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso afirmou que vai apurar os dados divulgados pela Assembleia Legislativa e somente depois irá se pronunciar. A assessoria da Secretaria Estadual de Saúde afirmou que tomou conhecimento dos dados divulgados pela Assembleia, porém, ainda não vai emitir nenhum comunicado a respeito. (GN)

Edição EDIÇÃO 16962




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