Se de um lado trabalhadores reclamam das condições de trabalho e os usuários, do serviço prestado, os empresários do setor de transporte coletivo queixam-se dos custos operacionais do sistema e alegam vultosos prejuízos mensais. Segundo o presidente da Associação Mato-grossense de Transportadores Urbanos (MTU), Ricardo Caixeta, hoje, o que as empresas faturam cobre apenas as despesas operacionais. Não paga os investimentos, afirmou. Ele garante que o aumento da tarifa não interessa aos empresários, pois significa cada vez menos pessoas utilizando o serviço e, conseqüentemente, menos receita. Para Caixeta, uma das saídas é acabar com os abusos existentes. A MTU tem um levantamento que mostra que em apenas um único dia o cartão de uma única pessoa que tem direito a gratuidade foi utilizado mais de 30 vezes. Não somos contra a gratuidade. A questão é evitar esses abusos, frisou. Caixeta lembra ainda que como os valores são calculados a partir da divisão entre o custo da operação e o número de passageiros, uma parte dos usuários arca com o custo das gratuidades. Cuiabá tem 92 linhas de ônibus que percorrem 2 milhões e 580 mil quilômetros ao mês para transportar 7 milhões de passageiros ao mês. Destes, 64 mil são estudantes de escolas públicas e particulares beneficiados pelo passe-livre, totalizando mais de 1,5 milhão de viagens gratuitas ao mês. A prefeitura de Cuiabá arca com 50% dos custos e o restante é repassado aos usuários pagantes. Outro problema a ser enfrentado, conforme Caixeta, são os impostos e carga tributária cobrada nos insumos, como diesel e pneus. (JD)