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CIDADES
Quinta-feira, 01 de Março de 2012, 20h:05

CÂNCER DE PRÓSTATA

Doença é 1ª entre homens no Centro-Oeste

Incidência da doença preocupa e virou tema de projeto de lei polêmico, que visa a obrigar homens acima dos 40 anos ao exame

RODIVALDO RIBEIRO
Da Reportagem
Entre os tipos de câncer que mais atingem o sexo masculino na região Centro-Oeste, o de próstata é o primeiro. Só em 2011, foram 5.350 casos registrados na região, no Brasil é o segundo mais freqüente. E o assunto é eivado de polêmicas porque o exame preventivo mais eficiente ainda é feito por toque na próstata por via anal, a freqüência é maior em homens acima dos 65 anos e o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) quer tornar obrigatório o exame para admissão no emprego aos homens a partir dos 40 anos. Nem mesmo o alerta do Instituto Nacional do Câncer, de que neste ano devem surgir 60 mil novos casos faz com que os homens de Cuiabá próximos à faixa etária preventiva (perto dos 40) mudem de opinião. Antes de aprovar este tipo de lei, argumenta o publicitário Marcos Aurélio, 35 anos, o poder público deveria dar um jeito de melhorar a saúde pública como um todo, para fazer a população confiar no serviço prestado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Muitas pessoas não se tratam, não fazem check-up periódico porque a saúde pública não presta, não funciona. Não adianta fazer esse tipo de lei sem melhorar o SUS como um todo antes”, argumenta. Em todo o planeta, o câncer de próstata é o sexto tipo que mais vitima homens na faixa etária. A informação não é suficiente para diminuir a desconfiança do representante comercial Claudio Fonseca Filho, 36 anos. “Eu ficaria apavorado e, pra falar a verdade, já estou meio com medo, pois minha idade já está próxima da obrigatoriedade desse exame. Independentemente dessa lei passar ou não, por questão de saúde mesmo, vou fazer logo um plano de saúde”, preocupa-se. Entretanto, o doutor Oswaldo Pereira, radiologista e especialista em ultrassonografia do Cedic Cedilab, considera a lei proposta pelo deputado paraibano como um bom meio de melhorar as estatísticas, levando os homens a gradualmente perder o preconceito com o exame e o consultório do proctologista. “Demoramos anos até incorporar o exame de mama no consultório ginecológico. Com a próstata não vai ser diferente”, opina, mesmo com a ressalva de que medidas tomadas com força de lei têm rejeição natural, “mas com o tempo, viraria rotina”. Mas ter que lidar com o SUS em caso de falta de dinheiro para o plano de saúde e a obrigatoriedade do exame para conseguir emprego não seria algo assim tão simples para alguém como o administrador de empresas Carlos Ribeiro, 38 anos. “Nos hospitais particulares, é tudo lindo, cheiroso, bem arrumado. A comida é de hotel cinco estrelas no Albert Einstein [São Paulo], no Sírio Libanês [também em SP], mas vai parar lá no Pronto Socorro de Cuiabá, de São Paulo ou do Rio. Aliás, no do Rio quando o cara chega e vê aquilo, ele já pede a Deus pra morrer logo”, exagera.

Edição EDIÇÃO 16969




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