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CIDADES
Sexta-feira, 02 de Maio de 2008, 20h:43

VÉU DE NOIVA

Desabamento causa morte

Saíra dos Reis, que ficou 11 dias hospitalizada no PSMC, morreu na noite de 4ª-feira, vítima do bloco de arenito

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Morreu na noite da última quinta-feira Saíra Tamires Dutra dos Reis, 17 anos, vítima do desmoronamento de um bloco de arenito de cerca de 20 metros que se desprendeu do paredão da cachoeira Véu de Noiva, no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, no dia 21 de abril. Ela sofreu traumatismo craniano e ficou internada 11 dias no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), onde chegou em estado gravíssimo, sendo imediatamente internada na unidade de tratamento intensivo (UTI). Devido ao tratamento recebido pela equipe de profissionais da área de saúde do pronto-socorro, Saíra chegou a apresentar pequena melhora nos primeiros dias, mas o quadro se manteve gravíssimo, especialmente o neurológico. Na última segunda-feira, a jovem foi submetida ao exame de tomografia e, no dia seguinte, passou por uma cirurgia denominada cranioctomia descomprensiva, que consisti na retirada de uma parte do crânio para diminuir o inchaço do cérebro, melhorando assim a oxigenação da região. Ontem, Saíra foi submetida a duas outras intervenções cirúrgicas, sendo uma no abdômen, denominada laparotomia e que consiste na inserção de um dreno, e outra na cabeça, para inserir um medidor de pressão intracaniana para controlar a pressão do cérebro. No final da noite, porém, o quadro se agravou ainda mais e a paciente veio a falecer. Outras quatro pessoas também ficaram feridas, mas não correm risco de morte. Saíra foi velada ontem na capela Jardins, na presença de familiares, amigos e outras vítimas do desmoronamento. O pai da garota, o construtor Sebastião Barbosa dos Reis, 48, disse que a morte de Saíra, a caçula de quatro filhos, estava sendo difícil para toda a família. Ele contou que foi a primeira vez que a jovem desceu até o pé da cachoeira em companhia de outras 19 pessoas, que integravam um grupo de 25 turistas da Igreja Assembléia de Deus. Apesar dos esforços de toda a equipe que participou do resgate, Sebastião Barbosa acredita que o transporte da menina até o pronto-socorro foi muito demorado. “Se tivessem usado o helicóptero, teria sido mais rápido". Milton Soares, fiel da igreja que acompanhou o trabalho de resgate, comentou que o acidente ocorreu por volta das 11h15 e que Saíra chegou ao pronto-socorro somente sete horas depois, às 18h. Sebastião disse que a família não pensou na possibilidade de uma ação judicial, caso se comprove que o acidente não foi ocasionado apenas por fatores naturais. O jovem Anderson Chaves de Oliveira também fazia parte do grupo. Ele sofreu pequenas escoriações na perna e no ombro direitos. Segundo Anderson, o grupo estava no lado oposto, a cerca de 50 metros do pé da cachoeira, onde caiu o bloco de arenito. “Escutamos um estrondo e só tive tempo de me esconder atrás de uma pedra”, disse contando que a Saíra estava de frente para o paredão. INVESTIGAÇÃO - Policiais plantonistas da Delegacia do Complexo do Verdão foram os responsáveis pela liberação do corpo de Saíra. O laudo de necropsia será encaminhado para a Delegacia Municipal de Chapada dos Guimarães, onde o delegado João Bosco de Barros irá instaurar o chamado “procedimento de verificação de óbito”, um procedimento comum ao se tratar de uma morte violenta. O delegado instaura um inquérito, mas, de antemão, sabe que a estudante foi vítima de acidente.

Edição EDIÇÃO 16967




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