CIDADES
Segunda-feira, 27 de Agosto de 2012, 21h:11
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ABORDAGEM SOLIDÁRIA
Demanda aumenta 85% devido ao frio
Resgatados podem ficar até 72 horas no local, mas a maior parte precisa de mais tempo para conseguir outro lugar para morar
STÉFANIE MEDEIROS
Da Reportagem
Devido às baixas temperaturas, o Centro de Triagem Abordagem Solidária teve um acréscimo de 85% na demanda, passando de 40 para 75 o número de abrigados. Muitos resgatados das ruas já foram embora, pois são usuários de drogas e não aceitam a ajuda do abrigo. O centro tem capacidade para 80, dentre homens e mulheres acima de 18 anos. Eles podem permanecer sob os cuidados dos funcionários da casa por no máximo 72 horas. No entanto, a maioria delas está no local há mais tempo porque não conseguiram outro lugar para ir. Segundo Edilson Proença, coordenador da Proteção Social Especial, há aproximadamente 27 pontos de aglomeração de moradores de rua na Capital. O Serviço Especializado em Abordagem Social possui três centros de referência para onde essas pessoas podem ser destinadas, sendo eles a instituição Missão Atalaia de Jesus, o Albergue Municipal Manoel Miraglia e o Centro de Triagem Abordagem Solidária. Para que as pessoas cheguem até estas casas de abrigo, o serviço tem vans que passam de manhã e a noite em vários pontos de Cuiabá, oferecendo assistência. Qualquer pessoa que se encontra na rua ou em estado de calamidade social (atingidos por incêndios, enchentes, desapropriações) pode se dirigir ao centro para buscar ajuda. Os moradores de rua são o principal foco, mas pessoas que não conseguem um emprego e se encontram em situação difícil também podem requisitar a ajuda. Este é o caso de Marcelo Ribeiro, de 36 anos. Ele trabalhava em Corumbá e foi para Campo Grande em busca de um emprego melhor. Como não conseguiu, veio para Cuiabá. No começo, não achou trabalho e ficou sem ter onde ficar. Foi então que Marcelo foi para o centro, onde mora atualmente. Já Márcio Rodrigues, 30, mora em abrigos há três anos. Ele contou que fugiu de casa quando tinha sete anos de idade. Na adolescência, se envolveu com drogas, era viciado em cola e cheirava esmalte. A polícia já o procurou, mas ele conta que conseguiu fugir deles também. Rodrigues não usa mais substâncias ilícitas e recebe ocasionalmente a visita de familiares, que não podem buscá-lo. Outro ex-morador de rua que está na Abordagem Solidária é Alexandro Parreira, de 38 anos. Ele chegou por conta própria, há duas semanas. Eu vim porque estava precisando, antes eu morava nas ruas do centro de Cuiabá. Era complicado. O Centro de Triagem e Abordagem Solidária de Cuiabá trabalha com uma equipe formada por quatro técnicos em enfermagem, um enfermeiro, dois assistentes sociais, 16 monitores, quatro motoristas, quatro cozinheiros e três auxiliares de serviços gerais. Os moradores têm quatro refeições por dia e recebem suporte para encontrar empregos, estudar ou voltar para suas cidades de origem.