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CIDADES
Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010, 20h:15

Delegado convicto sobre autoria

O delegado Márcio Pieroni, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou ontem que o soldado PM Claudemir de Souza Sales, lotado na Rotam, é o “virtual autor” do assassinato da corretora de imóveis Ana Cristina Wommer, de 24 anos, com quem teve um relacionamento extraconjugal e estava grávida de oito meses. Pieroni acrescentou ter a convicção de que ele seja autor do duplo assassinato. A polícia pediu exame para saber se o bebê, do sexo feminino, respirou após o parto. O delegado não descartou a hipótese de que a vítima tenha sido levada para o local do crime pelo PM em companhia de um cúmplice. É possível que o PM a tenha forçado a cometer um aborto. Ana Cristina teria entrado em trabalho de parto e foi abandonada no local. Porém, o corpo ainda foi coberto com palha seca para não ser localizado. Após cerca de três horas de depoimento, das quais foram produzidas 18 laudas, o militar entrou em contradição várias vezes aumentando a convicção de Pieroni sobre a autoria do crime. Entre os indícios de participação do militar está o fato de ele ter marcado um encontro com ela às 7h30 de domingo para lhe repassar R$ 50, para a compra de sulfato ferroso – medicamento indicado às gestantes para evitar anemia - mas, no entendimento do delegado, a medicação foi outra. Uma testemunha disse aos policiais que o militar ameaçava constantemente Ana Cristina de morte caso ela não praticasse o aborto. Esse depoimento reforça as suspeitas do delegado. “Ele (Sales) deu abortivo na marra para ela (Ana Cristina) e com a ajuda de um cúmplice ou uma cúmplice, porque no local não tinha uma gota de sangue. A calcinha dela foi retirada. Tentaram arrancar a criança à força. Como teve hemorragia, a abandonaram”, apontou o delegado. Como prova da participação do militar no crime é considerado um telefonema feito pela corretora de imóveis para uma amiga em que a informou sobre o encontro com soldado. “Se alguma coisa acontecer para mim, pode avisar meus pais porque eles sabem quem é o responsável”, alertou a vítima à amiga. Ontem, o delegado solicitou a prisão temporária de 30 dias do soldado Sales. Caso seja decretada, o policial será transferido para o Cadeião de Santo Antônio de Leverger, onde funciona um presídio militar. A prisão temporária poderá ser prorrogada por mais 30 dias. DEPOIMENTOS - Márcio Pieroni ficou durante toda a tarde de ontem na sede da DHPP ouvindo três importantes testemunhas. Segundo ele, o depoimento do trio será importante para “fechar as mentiras que o PM disse”. Já passaram por interrogatórios a mulher do suspeito, as amigas de Ana e o trabalhador da rede de telefonia que encontrou o corpo da vítima. Vários policiais também foram ouvidos ontem. A reportagem entrou em contato com o advogado do PM, Marcos Alexandre, que também esteve na sede da DHPP ontem. Ele tentou falar com o Pieroni, mas não conseguiu por conta dos depoimentos. Ele disse que ainda não teve acesso ao inquérito. “Preciso saber qual vai ser o procedimento. Tenho que aguardar os laudos”, atestou. (AR E DM)

Edição EDIÇÃO 16963




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