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CIDADES
Sábado, 09 de Outubro de 2010, 11h:38

DIA DAS CRIANÇAS

Cura é presente pedido por Arlon

Aos 13 anos, Arlon Schulz, como todo garoto de sua idade, não gastaria mais de um minuto para fazer a extensa lista dos presentes que gostaria de ganhar dos pais, avós, padrinhos e tios no Dia das Crianças, terça-feira. Na casa dele, porém, há quatro anos a celebração repete um pedido diferente: a cura do câncer. Portador de um tumor maligno no músculo da bexiga, Arlon já passou por duas cirurgias, 12 sessões de quimioterapia e outras 30 de radioterapia. Morador de Juína, município localizado ao norte do Estado, a 740 quilômetros de Cuiabá, ele precisa vir para a Capital a cada 30 dias para consulta, novos exames e avaliações médicas. Ele é o hóspede mais antigo da casa de apoio da Associação de Amigos das Crianças com Câncer (AACC). Sem conter as lágrimas, a avó de Arlon, dona Marlene Ineld Schulz, 63 anos, conta que o menino sempre foi “doentinho”, mas nem mesmo exames mais sofisticados como ultra-sonografia diagnosticavam qualquer doença grave. Até que um dia, quando o neto reclamou de dores na barriga, ela percebeu um caroço ao passar a mão no ponto da dor indicado por Arlon. Poucos dias depois, veio o diagnóstico. A partir dai, dona Marlene, com quem o menino mora desde os dois anos, é a grande companheira dele nas viagens, internações e procedimentos de controle da doença em hospitais de Cuiabá. A descoberta do câncer mudou a rotina da família. O pai de Arlon, Reginaldo Marlon “Tito” Schulz, mudou-se com a mulher Angelina e a filha Vitória para o sítio onde dona Marlene vivia com o neto e o marido Artur Schulz, a poucos quilômetros da área urbana de Juína. Desde então, as atenções se voltaram à busca da cura dele. A mãe biológica de Arlon, com quem Reginaldo teve um curto relacionamento, vive em Juína e já tem outro filho, mas também acompanha o tratamento do filho. Exemplo de dedicação e amor, dona Marlene diz que se pudesse faria muito mais para ver o neto bem, de preferência curado. Em poucas palavras, traça o perfil dele: “é um bom menino, educado, estudioso, muito inteligente, até ganhou uma bolsa de estudo no melhor colégio da cidade. Ele não reclama de nada, só não gosta de comer”. A única queixa de Arlon é sobre o aparelho de telefone celular que lhe roubaram em um hospital de Cuiabá, onde recentemente passou alguns dias internado “Gostaria de ganhar um celular novo”, pediu. Sobre o que a avó representa em sua vida, Arlon, muito tímido, resumiu em uma única palavra: “tudo”. Quem o vê hoje não imagina que esteve doente. A expectativa dele e de dona Marlene é de passar o Dia das Crianças em casa. A viagem de volta, prevista para esta segunda-feira, ainda depende de autorização médica. Para informações e doações sobre a AACCA use o 3621-1369 ou site www.aaccmt.org.br. (AA)

Edição EDIÇÃO 16967




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