CIDADES
Sábado, 16 de Janeiro de 2010, 17h:22
A
A
PERÍODO DAS ÁGUAS
Cuidado nunca suficiente em rios de MT
Sequência de afogamentos no Estado faz com que bombeiros reforcem alerta e redobrem preocupação nesta época. Casos aumentaram 12%
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Os casos de afogamentos ocorridos nos últimos dias em Mato Grosso, como o do rapaz de 18 anos que foi arrastado pela correnteza quando se banhava em um rio na região de Manso, em Chapada dos Guimarães, chamam a atenção para os riscos e os cuidados que se deve ter para evitar determinadas situações que podem virar tragédias. No Estado, a alta temperatura, que muitas vezes chega a ultrapassar os 40ºC, estimula inúmeras famílias a se refrescarem nas águas dos mais diversos rios, lagoas ou piscinas, o que é perfeitamente natural. O problema é que algumas pessoas desafiam o perigo, que pode estar por trás de rios com águas calmas, mas considerados profundos para banhistas. Este é o caso do rio Cuiabá, de onde o Corpo de Bombeiros (CB) resgatou, somente no ano passado, 45 corpos de vítimas de afogamentos. No rio Cuiabá, os atendimentos ocorreram desde Rosário Oeste até o Pantanal, informou o major Eneídes Martins. Ao todo, em 2009, ocorreram 115 afogamentos no Estado, 12% a mais que em 2008, quando foram resgatadas 103 vítimas. Neste ano, além do caso na região de Manso, quatro pessoas da mesma família morreram afogadas após um acidente na ponte do rio do Sangue, em Juara (a 609 quilômetros da Capital). No Cuiabá, um dos locais onde se deve redobrar a atenção fica no distrito da Passagem da Conceição, comunidade ribeirinha localizada em Várzea Grande e muito frequentada por banhistas aos fins de semana. Lá, conforme Martins, há trechos profundos onde a água forma rebojo, o que aumenta o risco da pessoa ser puxada pela correnteza. Por outro lado, boa parte dos afogamentos acontece por distrações de segundos. Muitas vezes os afogamentos acontecem por descuido, ingestão de bebida alcoólica ou desconhecimento dos perigos que o local oferece, observa. O major Martins cita, por exemplo, que nos afluentes do Cuiabá como o Coxipó e o Pixaim, em Poconé, também ocorrerem afogamentos como frequência. Porém, este último é um rio de águas tranquilas, embora caudalosas. Um caso que ocorreu no Pixaim, em 2009, foi por excesso de bebida alcoólica, diz. Já o Coxipó é raso na maior parte de sua extensão. O que tem são pontos profundos, comenta. No interior, rios que chamam a atenção são o Teles Pires, na região norte, o Araguaia, em Barra do Garças, e o Verde, em Lucas do Rio Verde. Estes dois últimos, muito frequentados por turistas, que geralmente desconhecem a profundidade ou mesmo o perigo do lugar onde estão se banhando. O rio Verde, por exemplo, possui em determinados trechos forte correnteza e pedras pontiagudas, que podem ferir o banhista. Na Capital e em Várzea Grande, conforme Martins, tem se observado que os casos normalmente ocorrem durante atividades de lazer e pescaria. Já no restante do Estado, os acidentes costumam envolver embarcações, como barcos, que são utilizados como meio de transportes. Em rios, o risco é maior por causa da força da correnteza e, também pela profundidade. Por isso, o conselho é que a pessoa fique em locais rasos e a água não ultrapasse a cintura. Existe um jargão que diz: água no umbigo sinal de perigo, alerta Martins. É de responsabilidade dos municípios sinalizar os locais que oferecem riscos à população. Conforme Martins, na Passagem da Conceição, por exemplo, existe uma sinalização precária, e que foi uma iniciativa de um morador da região.