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CIDADES
Sábado, 13 de Novembro de 2010, 11h:30

AMBIENTE EM VG

Crateras no solo serão recuperadas

Após 50 anos de exploração desordenada, poder público força empresas do ramo da argila a mitigar danos ambientais e adotar uso sustentável

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Por quase cinco décadas, a exploração de argila, matéria prima usada na fabricação de tijolos e telhas, foi realizada de forma clandestina e aleatória, em Várzea Grande. A extração desordenada resultou na abertura de pelo menos 36 crateras, hoje preenchidas por água estagnada das chuvas e que jamais secarão. De acordo com o coordenador de Fiscalização Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente (Semma) da cidade, Ezequiel Pereira de Souza, as primeiras indústrias de cerâmicas começaram a se instalar no município na década de 60. Os empreendimentos já chegaram a 18. Antes, a retirada da matéria prima acontecia ao longo da Alameda Júlio Muller, passando pelas comunidades do Carrapicho, São Gonçalo, Engordador, Bonsucesso até o Distrito de Praia Grande, além da Guarita. Atualmente, conforme Souza, 14 continuam em operação e removem a argila em uma única área localizada na região da comunidade ribeirinha denominada Porto Santana. Algumas dessas crateras abertas chegam a atingir aproximadamente 10 metros de profundidade. A partir de 2002, o Ministério Público do Estado (MPE) começou a exigir das indústrias de cerâmicas a exploração racional e a adoção de medidas mitigadoras de reabilitação das áreas degradadas. A preocupação com os impactos causados pela atividade exploratória levou à criação da Cooperativa de Exploração Mineral para Cerâmicas e Setores da Construção Civil de Mato Grosso (Coopemcer) e a elaboração do Plano Integrado de Controle e Recuperação Ambiental (Picra). O Picra estabelece o nivelamento das cavas abertas e recuperação da área com plantio de mudas nativas. O plano prevê ainda várias atividades como piscicultura, lagos para recreação e aterramento com entulho gerado pelas próprias cerâmicas ou dos resíduos sólidos do tipo classe “A” da construção civil. Isto, para diminuir a profundidade e permitir a criação de peixes. “Já tem uma primeira área, no Carrapicho, que está sendo recuperada”, informou Souza. Ao mesmo tempo, denúncias como a transformação da área em um grande depósito de lixo a céu aberto e às margens do rio Cuiabá levaram o MPE a abrir inquérito civil para apurar as irregularidades. Em abril deste ano, foi firmado um termo de ajustamento de conduta (TAC) entre MPE, Semma, Coopemcer e a Cooperativa de Recuperação de Áreas Degradadas (Coopereco). Os envolvidos comprometeram-se em não deixar entrar na área nenhum resíduo que não esteja devidamente selecionado e não integre a classe “A”, além de dar destinação adequada aos outros tipos de lixo como os orgânicos e pneus que forem levados para o local. Além disso, diante da necessidade de se drenar a água da cava, o MPE também determinou que seja feita análise físico-químico e bacteriológico da água. Segundo Souza, os laudos vêm mostrando que a água da cava em processo de recuperação encontra-se mais limpa do que a do próprio rio Cuiabá. O presidente da Coopereco, Wilson Trannin, também garantiu que o Plano de Recuperação está sendo colocado em prática. “É um trabalho pioneiro no Brasil. Além de garantir um destino adequado dos resíduos sólidos, coisa rara no Brasil, estamos diminuindo o passivo ambiental gerado ao longo dos anos”, frisou. Conforme Trannin, em média são utilizados 600m3 de resíduos por dia para a recuperação das crateras. “Quando começamos a lagoa que tinha um milhão de metros cúbicos de água. Hoje, diminuiu consideravelmente”, afiançou.

Edição EDIÇÃO 16966




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