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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011, 21h:00

MOBILIDADE

Comerciantes em luto

Como protesto, lojistas da Prainha passaram o dia de preto ontem para cobrar indenizações por ter que deixar avenida

CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
Lojistas da avenida Prainha fizeram protesto ontem contra a possível desapropriação de estabelecimentos comerciais para dar lugar ao corredor BRT (Bus Rapid Transit), obra prevista no projeto de mobilidade urbana para a Copa do Mundo de 2014. Vestidos de preto, os empresários - locatários dos imóveis onde ficam as lojas - penduraram cartazes e estenderam panos negros na frente dos comércios. A presidente do bairro Centro, Francisca Xavier, disse que a manifestação é contra o desemprego que as desapropriações vão causar aos empresários. “Tirar as lojas daqui vai causar a perda de emprego de mais de duas mil pessoas”, afirmou. “Pelos meus cálculos, mais de 70 ‘micro’ e pequenos empresários terão que fechar as portas”, declarou. A dona da loja Utilíssima, Dilma Gaião, disse que não quer deixar o ponto onde funciona o comércio há sete anos, “mas se isso for inevitável, que nós pelo menos sejamos indenizados”. A empresária criticou as declarações do governador Silval Barbosa de que o Estado tem direito a desapropriar porque o bem coletivo deve prevalecer sobre o privado. “O Estado vai tirar o bem de tanta gente e depois o governador fala que isso é bem coletivo. Nós também fazemos parte do coletivo, nós somos o coletivo”, disse. A lojista Deizi Pugsley Zaliski, dona da livraria Brasil Central, contou que não sabe o que vai fazer se o estabelecimento tiver que ser desapropriado. A livraria funciona no local há mais de 15 anos. “É complicado ter que deixar tudo e não receber nada em troca. Se tiver que ser feito, que seja feito, mas nós merecemos indenização assim como o dono do imóvel”, declarou. Ao ser questionado se os locatários tinham ou não direito a indenizações, o secretário-extraordinário de Apoio Institucional às Ações da Agecopa e PAC, Djalma Sabo Mendes Júnior, disse que cada imóvel vai ser avaliado e que tudo será feito dentro da legalidade. “A avaliação vai levantar todos os aspectos do imóvel, com muito cuidado, para que a indenização seja feita com valor justo”, afirmou. O secretário disse ainda que a equipe de avaliação dos imóveis só irá a campo depois que os projetos dos corredores BRT (Bus Rapid Transit) estiverem prontos, o que deve acontecer até o final deste mês. Os lojistas prometeram criar nos próximos dias a Associação dos Empresários e Locatários da Avenida Prainha e entregar ao presidente da Agecopa (Agência Executora dos Projetos da Copa de 2014), Yênes Magalhães, um manifesto por escrito protestando contra as desapropriações. O documento tem mais de 90 assinaturas de empresários e moradores da via. A próxima manifestação dos comerciantes está marcada para amanhã.

Edição EDIÇÃO 16962




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