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Terça-feira, 26 de Junho de 2012, 21h:02

MARÃIWATSEDE

Começa a faltar comida

Posseiros e índios contrários à demarcação de área fecharam rodovias no final de semana; desabastecimento atinge cidade

LAURA NABUCO
Da Reportagem
A Prefeitura de Alto Boa Vista (1.064 km de Cuiabá) decretou estado de emergência devido à interdição das rodovias federais e estaduais que dão acesso ao município, por posseiros e índios xavantes contrários ao reconhecimento da gleba Suiá Missu como território indígena Marãiwatsede. O protesto começou no fim de semana. Segundo o prefeito Wanderley Perim (PR), a cidade já não tem combustível e começa a faltar alimento. As aulas foram suspensas porque não há como realizar o transporte escolar. “Nós não produzimos nada, vem tudo de fora. A água é distribuída por caminhões-pipa. Estamos totalmente parados”, relata. Os únicos acessos ao município são pelo Pará ou Tocantins, conforme o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Elói Grisom. Na BR-158, os manifestantes abriram uma vala de 1,5 metro de largura. Já na BR-080 e na MT-433, que liga a cidade a Bom Jesus do Araguaia e Serra Nova Dourada, as pontes foram queimadas ou destruídas. Pelo menos 500 pessoas, entre posseiros e índios que apóiam a retirada dos xavantes do território, estão aglomeradas na região do Posto da Mata, localidade entre o município e a área de litígio. Apesar de ainda não ter sido registrado nenhum caso de violência, o clima é tenso e há risco de conflito. “O que ficamos sabendo na cidade é que índios de outra aldeia já estariam se preparando para vir até o Posto da Mata de maneira ofensiva. O temor da população que é haja mais mortes como já ocorreu há alguns anos”, conta o prefeito. Embora o boato não tenha sido confirmado, o inspetor da PRF não descarta a possibilidade. Os posseiros reivindicam uma audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o presidente da OAB nacional, Ophir Cavalcante Júnior, a presidente da FUNAI, Marta Maria Azevedo, e o desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, Antônio Souza Prudente, responsável pela cassação da liminar que suspendia a determinação de retirada de todos os não-índios da área de 165 mil hectares. “Como são instituições distintas, a agenda é complicada, por isso, não há previsão nem expectativa de quando as rodovias serão liberadas”, afirma Grisom. Além da PRF, equipes da Polícia Militar e Polícia Federal estão na região. Segundo a superintendente indígena do Estado, Janaína Andiara, o governo formou uma comissão composta por três xavantes e o secretário de Estado de Segurança Pública, Diógenes Curado, para negociar o encontro com o ministro. Eles estão em Brasília desde a última segunda-feira (15). Representantes da Funai, do INCRA e da PF já trabalham no local para encontrar uma solução, por ordem da presidente Dilma Rousseff (PT).

Edição EDIÇÃO 16967




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