CIDADES
Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010, 20h:16
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SAÚDE PÚBLICA
Cinco leitos da UTI do PSMC interditados
Iniciativa foi dos próprios funcionários, que decidiram impedir entrada de pacientes pela falta de medicamentos essenciais no setor da unidade
DHIEGO MAIA
Da Reportagem
Cinco dos 20 leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para adultos foram interditados ontem no Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá por falta de medicamentos. Sem remédios disponíveis, funcionários da unidade teriam bloqueado a entrada de novos pacientes em virtude do alto risco durante os atendimentos. Os medicamentos em falta são administrados a pacientes internados nas UTIs para controlar pressão arterial, infecções bacterianas e convulsões. Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou que a unidade ficou por dois dias sem os medicamentos e que, na tarde de ontem, a situação já havia sido normalizada. O Diário apurou que o município solicitou ajuda financeira ao Estado, que de pronto disponibilizou uma quantidade não divulgada dos medicamentos para as UTIs. Segundo a assessoria de imprensa da Pasta estadual, a gestão de medicamentos é de responsabilidade de cada município. O Estado só auxilia as UTIs de responsabilidade dos municípios financeiramente para mantê-las em pleno funcionamento. A falta de gestão dos medicamentos nas unidades de saúde pública em Cuiabá não é novidade. De acordo com levantamento do Conselho Estadual de Saúde, no primeiro semestre deste ano, dos 589 processos em andamento no conselho, 63,31% se referiam à falta de medicamentos. OUTRO LADO - Procurados, o secretário municipal de Saúde, Maurélio Ribeiro, e nem a administração do Pronto-Socorro não concederam entrevista. Por meio de nota, a Secretaria de Saúde reconheceu a falta de medicamentos, mas negou que os leitos foram fechados temporariamente. Apesar da falta momentânea dos remédios, de uso exclusivo dos leitos de UTI, nenhum leito foi interditado, traz trecho da nota. A assessoria garantiu que não houve transtornos ou danos maiores com nenhum paciente que se encontrava na UTI. A nota informou ainda que a secretaria passa por um processo de repadronização de todos os medicamentos utilizados pela rede do SUS com finalização dessa etapa de trabalho marcada para o final deste mês. A meta é racionalizar para otimizar os investimentos com os medicamentos minimizando, com o tempo, as faltas pontuais na rede. Outro problema da unidade está na estrutura. O antigo box de emergência (atual Sala Verde) também foi interditado pelas péssimas condições em que se encontrava. Mato Grosso conta com 303 leitos de UTI entre públicos e contratos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Destes, 161 estão em Cuiabá e outros 20 em Várzea Grande.