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CIDADES
Segunda-feira, 07 de Junho de 2010, 21h:14

OS MENDONÇAS

Casa histórica é demolida no Centro

Ruínas de imóvel, que abrigou a família dos historiadores Estevão e Rubens, deu lugar a terreno limpo, mas sem responsável pelo ‘patrolamento’

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
Foi demolida no último sábado a fachada restante da casa de duas grandes personalidades cuiabanas, os historiadores Estevão e Rubens de Mendonça, pai e filho, respectivamente. A poucos metros da prefeitura, da casa só restou uma parte da fachada amarela e um terreno agora tomado por entulhos do que poderia ser conservado como um importante símbolo histórico da Capital. Quem ordenou e autorizou a demolição ainda é uma incógnita e o secretário municipal de Meio Ambiente, Arquimedes Pereira Lima, anunciou que levará o caso ao Ministério Público Federal (MPF). Segundo o vendedor Paulo Leopoldino da Silva, que trabalha numa loja de roupas masculinas ao lado e ajudava a manter em pé as ruínas da casa, máquinas para demolição apareceram na tarde de sábado sem que ninguém soubesse a procedência. Um dos operadores das máquinas informou ter ordens de “limpar” o terreno, mas não disse de quem. Eles derrubaram a fachada, afastaram o entulho alguns metros adentro e deixaram o local aberto, sem qualquer cerca ou fita de interdição. Até sábado, as ruínas da fachada eram escoradas por vigas de madeira instaladas de improviso para que tudo não caísse. O local ainda mantinha elementos arquitetônicos tipicamente cuiabanos, como paredes de terra socada, ladrilhos hidráulicos pintados com detalhes, piso em xadrez e outros detalhes coloniais. A casa com talvez mais de três séculos virou ruínas desde a desocupação há 27 anos, após a morte de Rubens de Mendonça – que hoje dá nome à principal via de Cuiabá, a avenida do CPA. Devido à presença de vestígios tombados pelo patrimônio histórico (de conservação obrigatória), o terreno até hoje não foi vendido. Tal situação foi mostrada pelo Diário em abril. Segundo um dos herdeiros de Rubens de Mendonça, o genro Miguel Luiz de Deus, ele foi surpreendido pela demolição e abordou os operadores das máquinas, que disseram ter ordens da prefeitura para limpar o local. Ele diz que contestou os supostos funcionários, que não portavam documento algum do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão responsável por construções como aquela. Por isso, ele diz que inclusive registrou um boletim de ocorrência sobre o episódio. “Quem fez isso, fez errado”, afirma. Ele também procurou a corretora do imóvel, que respondeu à reportagem desconhecer quem realizou a demolição. Já de acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Arquimedes Pereira Lima, a prefeitura não foi consultada sobre a demolição, que primeiramente também deveria ter sido autorizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A reportagem tentou contato telefônico com o superintendente do órgão em Mato Grosso, Cláudio Conte, mas ele não retornou as ligações.

Edição EDIÇÃO 16969




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