CIDADES
Quarta-feira, 01 de Setembro de 2004, 20h:50
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AMBIENTE
Caçador é acusado de matar onça em Cáceres
Acredita-se que fazendeiros estejam contratando serviço, já que animais matam reses
CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da Sucursal de Cáceres
Uma equipe de fiscalização da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEMA) prendeu na última terça-feira um caçador de onças, que agia em uma fazenda no município de Cáceres, e confirmou o boato de que fazendeiros da região estão contratando profissionais para abaterem os animais, que invadem as pastagens e matam reses para se alimentar. Com o caçador, a equipe encontrou a cabeça e o rabo de uma onça pintada, que serviriam como provas para o recebimento do serviço de abate. O crime ambiental foi flagrado na fazenda São Sebastião, de propriedade da família Braga, de Mirassol DOeste. O caçador José Paulo da Silva foi preso e liberado após pagar fiança. Seu patrão, Éderson Viaro, conhecido como Dersão, escapou na equipe se embrenhando no mato. A equipe da Fema estava a trabalho na região mapeando as trilhas do Parque Estadual do Guirá, localizado no Médio Pantanal, e encontraram os caçadores no entorno do parque. Com eles, estavam 19 cães americanos farejadores, atrelados par a par e usando coleiras de proteção. Na abordagem, os caçadores informaram que estavam apenas caçando porcos do mato. Mesmo assim, a equipe apreendeu duas armas - um revólver calibre 44 e um Magnum calibre 357. Depois de pernoitar na região, a equipe voltou à fazenda e seguiu a trilha dos cachorros, encontrando os caçadores já com o animal, morto com um tiro no olho. O fiscal da Fema Roberto Correa de Arruda informou que Éderson tem em sua casa, em Labari DOeste, 88 cães e uma onça, além de um verdadeiro arsenal, sendo considerado um caçador experiente. Ele tem uma autorização do Exército Brasileiro para transportar armas, pois faz parte do Clube de Tiro e pode transportá-las quando se desloca para participar de competições pelo país. Segundo informações não confirmadas, mas das quais a Fema também tem conhecimento, fazendeiros da região estariam pagando R$ 2 mil por cabeça de onça abatida. Um caçador experiente como este poderia, sim, ser contratado, mas para paralisar o animal com um dardo tranqüilizante, entrega-lo ao órgão de competência, que o devolveria ao seu habitat, um dos muitos parques estaduais que temos no Mato Grosso, disse o fiscal. Os caçadores foram enquadrados na Lei de Crime Ambiental, por abate de animal silvestre, com o agravante de ser a onça pintada um animal considerado em extinção.