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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 17 de Novembro de 2012, 13h:37

RODOVIAS

Borracharias: um filão lucrativo na Imigrantes

LAURA NABUCO
Da Reportagem
Cerca de 100 pessoas. Essa é a média de clientes que a borracharia de João Lopes, localizada às margens da rodovia Imigrantes, MT-407, atende diariamente. A maior parte dos problemas é causada por buracos. “Os pneus estouram”, diz Franciele Cristina de Oliveira, filha de Lopes. Há 26 anos na Imigrantes, a borracharia já tem clientela fixa, mas tem visto a concorrência crescer. Segundo Franciele, a quantidade de oficinas e borracharias tem aumentado nos últimos anos. Fruto da má conservação da estrada. A maioria dos clientes são caminhoneiros como Marcelo Neiva, 38 anos, que passa pela Imigrantes todas as semanas. No dia em que o Diário visitou a rodovia, ele registrou mais um prejuízo causado pela trepidação da pista: R$ 350 para arrumar a suspensão da cabine do caminhão. Trabalhando há 11 anos na oficina em que Neiva buscou socorro, o mecânico João Batista de Jesus, 37 anos, afirma que a única melhoria que o trecho recebeu até hoje está nas margens, cada vez mais povoada com oficinas e borracharias. Empresários buscando tirar proveito da situação da rodovia. A pior época, conforme todos eles, é a de chuva. Isso porque o asfalto com pouca espessura se desmancha com a água e o impacto das toneladas transportadas pelas centenas de carretas. Os tempos de seca, por sua vez, não representam grande melhora, segundo Franciele. Ela diz que a pavimentação não tem boa qualidade, o que faz com que derreta com o calor. “Os caminhões passam e formam aqueles caroços na pista”, relata. Trafegando pela região há 18 anos, Neiva diz que nunca viu melhorias, o que fazia com que boa parte dos caminhoneiros desviasse caminho por dentro de Cuiabá e Várzea Grande. Com o início das obras da Copa do Mundo de 2014 nas duas cidades, no entanto, o trajeto não é mais possível. O resultado foi o aumento do fluxo e a formação de filas. “São quatro horas para rodar 27 quilômetros. Isso é um absurdo”, reclama o caminhoneiro. A situação mais crítica foi enfrentada há uma semana, quando a ponte sobre o Rio Cuiabá estava sendo restaurada. Apenas um caminhão era liberado para cruzá-la de cada vez. Moradora de Várzea Grande, Franciele diz que ir de casa para o trabalho na borracharia era quase impossível em alguns horários do dia. A Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana afirmou que a Imigrantes será totalmente reformada quando o Rodoanel de Cuiabá for concluído, possibilitando a transferência do tráfego.

Edição EDIÇÃO 16963




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