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CIDADES
Quarta-feira, 13 de Junho de 2012, 22h:00

TRÂNSITO

Atropelamentos crescem após obras

Aumento coincidiu com o desvio do fluxo de veículos para ruas antes tranqüilas; SMTU diz que não existe relação

LAURA NABUCO
Da Reportagem
Os atendimentos a vítimas de atropelamentos aumentaram 70% no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (PSMC), em maio, numa comparação com abril. O total de vítimas saltou de 41 para 70 entre um mês e outro. O levantamento é da própria unidade e revela um aumento progressivo dos casos justamente no período em que boa parte do trânsito de uma das maiores avenidas da Capital, a Miguel Sutil, teve que ser desviado para as chamadas rotas alternativas devido ao início das obras de mobilidade urbana para a Copa do Mundo de 2014. O excesso de carros e ônibus em vias antes vazias pode explicar o aumento nas ocorrências. Deise Machado, 52 anos, que mora no bairro Coophamil e trabalha na Policlínica do Verdão, quase foi incluída nas estatísticas. Como vai a pé para o trabalho, passa todos os dias por uma das ruas mais afetadas pelos desvios, a Doutor Luiz de Castro Pereira, localizada entre a Perimetral e a avenida Agrícola Paes de Barros. “Uma camionete e um caminhão tentaram passar ao mesmo tempo e um deles quase me pegou”, relata. Ela reclama da velocidade com que os automóveis passam pelo local, até pouco tempo pacato, e da ausência de agentes de trânsito. “Até hoje não vi um amarelinho por aqui”. Para a diretora da escola estadual Alina do Nascimento Tocantins, Cleonice Maria Wobeto, a mudança no trânsito ainda não afetou a rotina dos alunos e professores. Embora esteja localizada nas proximidades da avenida Jornalista Alves de Oliveira, onde o movimento cresceu devido à interdição da Miguel Sutil na altura da rotatória do bairro Cidade Verde, ela afirma que os horários de pico não coincidem com os períodos em que os estudantes estão chegando ou saindo. “Geralmente eles chegam e saem cerca de uma hora antes do fluxo ficar mais complicado”, afirma. Mesmo assim, os trabalhos de educação sobre os perigos do trânsito são rotina, segundo ela. Para a Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte Urbano (SMTU), não é possível relacionar o aumento da quantidade de atropelamentos às obras da Copa. Segundo dados da pasta, as “vilãs” de Cuiabá seriam as avenidas de maior movimento como a Fernando Correa, Prainha e Rubens de Mendonça (do CPA), onde a velocidade permitida é de 60 km/h, o dobro do autorizado nas vias utilizadas como desvio. A assessoria da secretaria garante ainda que o levantamento do Pronto-Socorro é semelhante ao ano passado, quando houve uma oscilação nos registros deste tipo de acidente. Cita como exemplo o fato de que em janeiro de 2012 foram feitos 81 atendimentos a pessoas atropeladas, quantidade superior a de maio. Argumenta ainda que a unidade não recebe pacientes apenas da Capital. A pasta garante ainda ter agentes de trânsito espalhados nos locais de maior risco e diz realizar trabalhos de educação em escolas e empresas. Apesar das iniciativas, apela para a conscientização da população.

Edição EDIÇÃO 16967




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