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CIDADES
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013, 20h:50

ADMÁRCIA E RYAN

Assassino vai a júri

Henrique Costa de Carvalho confessa ter matado avó e neto e conta como foram os últimos momento de vida do garoto

HELSON FRANÇA
Da Reportagem
O técnico de informática Henrique Costa de Carvalho, 25 anos, enfrentará júri popular pelas mortes de Admárcia Mônica da Silva Alves, 42 anos, e Ryan Alves Camargo, de apenas quatro anos, neto da mulher. Nesta quinta-feira, o acusado confessou em juízo, durante audiência no Fórum de Cuiabá, ter matado ambos. A juíza Ana Cristina Silva Mendes, titular da Vara, afirmou que proferirá a sentença de pronúncia já na próxima semana. “Não há o que se falar em absolvição, visto que o réu confessou o crime”, pontuou. Ela acredita que Henrique seja submetido ao julgamento popular ainda neste ano. Na audiência, Henrique, que pela primeira vez falou à Justiça sobre o crime, detalhou como esfaqueou e queimou a ex-sogra para depois jogar da ponte o pequeno Ryan, ainda com vida, no rio Cuiabá. O crime aconteceu no dia 11 de novembro do ano passado. O réu contou que na madrugada do crime estava com amigos em uma casa noturna e foi comunicado que a sua ex-namorada tinha sido vista em outra festa, acompanhada. Alcoolizado e enciumado, Henrique foi até a casa da ex, Thassya da Silva Alves, 24 anos – mãe da Ryan -, no bairro Dom Aquino. Chegando lá, ele relata que foi avisado pela mãe da moça, de que ela não estava. Mesmo assim, entrou na casa arrombando a janela, começando então uma discussão com Admárcia. O técnico de informática falou que a ex-sogra disse a ele que a filha havia ido para o motel com mais dois rapazes e passou a ofendê-lo. Sentindo ódio, conforme suas próprias palavras, pegou uma faca e desferiu os golpes que mataram a mulher – que ainda tentou se defender empurrando o rapaz. Com a confusão, Ryan acordou e viu a avó morta, caída no chão. Carlos Henrique afirmou que decidiu “sumir” com o garoto por temer que ele acabasse falando algo para alguém. O réu colocou o menino no carro, passou em um posto de gasolina, comprou combustível e voltou a casa para queimar Admárcia. Não satisfeito, seguiu com o menino para a ponte Júlio Müller, no bairro Porto, de onde jogou o garoto no rio - que acabou morrendo afogado. Segundo Carlos, nos momentos que antecederam o fato, Ryan não falou quase nada. “Ele só me perguntava o porquê de eu ter matado a avó dele”. Testemunhas que viram Carlos jogar o menino da ponte disseram que o garoto estava nos braços do rapaz, com a cabeça encostada no peito dele. Segundos antes de ser arremessado ao rio, Ryan segurava o pescoço de Carlos, tentando evitar que ele o jogasse. O técnico de informática conviveu durante com Thassya por um período de seis meses e dizia ter uma boa relação com o garoto. Carlos Henrique disse estar arrependido pelo que fez. Na sua sustentação oral, o promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza ressaltou que, em 13 anos atuando no Ministério Público Estadual, ainda não tinha se deparado com tamanha barbárie. “Aqueles que matam não imaginam o tamanho da dor causada, ela é eterna para aqueles que ficam”, observou, referindo-se aos familiares das vítimas, logo depois de ter requerido à juíza a pronúncia de Carlos Henrique. Na audiência, dentre acusação e defesa, foram ouvidas 11 testemunhas. Carlos Henrique está preso numa cela do raio 5 da Penitenciária Central do Estado. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Estadual por duplo homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa por parte das vítimas.

Edição EDIÇÃO 16964




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