CIDADES
Sábado, 22 de Novembro de 2008, 12h:00
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BOLICHO
Armazéns fazem das compras viagem ao século passado
Antigos armazéns, os chamados bolichos cuiabanos, daqueles que vendem de tudo, produtos que nos tempos atuais se tornaram curiosidades e relíquias, resistem à modernidade. Em dois deles, localizados em pontos distintos de Cuiabá, ir às compras se transforma numa incursão ao século passado. No Armazém Abraão, localizado na rua 24 de Outubro, o consumidor encontra uma variedade capaz de surpreender. O proprietário, Alberto Zaque, de 78 anos, mantém parte da casa onde mora abarrotada de mercadorias que chamam a atenção de quem passa na rua. Na calçada estão expostos produtos raramente encontrados em supermercados ou shopping centers como moringa de barro, penicos esmaltados e de plástico, lamparina, ratoeira, espanador, escamador de peixe e baldes de zinco. Na parte interna da loja, por causa da quantidade de mercadorias, é preciso muito cuidado para caminhar pelos corredores estreitos e escolher utensílios. No anexo, um minúsculo corredor que dá acesso à moradia de seo Alberto, onde vive com a mulher Célia Monteiro Zaque e a filha adotiva Fátima, ele criou um bazar regional. Nesse bazar estão expostos produções artesanais curiosos, como peneira de taquara encerada com cera de abelha e a prensa de fazer farinha de mandioca confeccionada em palha, também conhecida por sucuri, além de doces regionais e uma infinidade de cestas de palha, vime e outras matérias primas. Quem pensa que o penico caiu em desuso, após esta reportagem concluirá que está enganado. De acordo com o comerciante, uma média de 10 unidades, mais da metade do modelo esmaltado, é vendida todos os meses. Os compradores são em sua maioria idosos de classe sociais mais elevadas que apresentam problemas de locomoção. Gente que dorme em suítes, mas não tem forças para caminhar até o banheiro à noite, argumenta Alberto Zaque. Um penico custa R$ 38. No pequeno armazém de Gonçalo Monteiro da Silva, de 78 anos, na avenida Senador Metelo, quase esquina com a Joaquim Murtinho, uma casa de ferragens, mercadorias que caíram no esquecimento com a chegada de similares mais modernos estão à venda como se fossem produtos do dia-a-dia. Entre os que podem ser encontrados estão candeeiro, uma espécie de lampião movido a azeite, ferro de passar roupas movido à brasa, balança manual de vara, moedores manuais de café e carne, tábua de desmame (uma armadura que se põe na boca do bezerro para evitar que sugue a teta da vaca) e fogão de ferro à lenha. (AA)