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CIDADES
Sexta-feira, 07 de Dezembro de 2007, 19h:24

OPERAÇÃO ÁRTEMIS

Árias é acusada de se associar ao tráfico

Provas documentais e materiais levantadas pela Polícia Civil comprovariam envolvimento da ex-escrevente com traficantes presos no Pascoal Ramos

ALINE CHAGAS
Da Reportagem
Provas documentais e materiais reunidas durante a Operação Ártemis, desencadeada na terça-feira pela Diretoria de Atividades Especiais da Polícia Civil, comprovam o envolvimento da ex-escrevente Beatriz Árias com o tráfico de entorpecentes. A ligação de Beatriz com o crime organizado já tinha sido levantada durante as investigações anteriores a operação. Porém, foi na terça-feira que a Polícia Civil conseguiu reunir documentos e objetos na casa da ex-escrevente que vinculam Árias aos traficantes Wilber Martins Rodrigues e Edson José da Silva, presos no Pascoal Ramos desde novembro. Conforme as interceptações telefônicas e documentos apreendidos, Beatriz dava apoio logístico e atuava como uma espécie de “despachante” dos traficantes. Depois que Wilber e Edson foram presos em Alto Araguaia (aproximadamente 400 quilômetros de Cuiabá) e transferidos para o presídio Pascoal Ramos, Beatriz tentou várias vezes conseguir benefícios para os traficantes. A ex-escrevente chegou a ir até Alto Araguaia para buscar dois veículos de Wilber, um Fiat Strada e um Corsa. Os documentos apreendidos na casa de Beatriz, em Santo Antônio de Leverger, a ligam também ao traficante Fernando Procópio da Silva, preso em Cuiabá por tráfico. No dia da Operação Ártemis, a Polícia Civil chegou a cumprir um mandado de prisão por tráfico de entorpecentes de Belo Horizonte (BH) para Fernando, que estava em aberto. Na terça-feira, quando chegou à casa da ex-escrevente, a polícia se deparou com dois homens considerados comparsas de Fernando, que tinham mandados de prisão em aberto em Belo Horizonte por tráfico de drogas. José da Silva Dantas e Wellington dos Santos Dantas foram presos em flagrante por uso de documentos falsos. Segundo informações apuradas na investigação, os dois estavam há algum tempo escondidos na casa de Beatriz. Os delegados que apuram o caso informaram que as provas levantadas durante a investigação serão reunidas ao inquérito e que Beatriz responderá por todas os crimes que forem comprovados nesse período. Beatriz é investigada por agir como intermediadora de um esquema de corrupção na 2ª Vara Criminal de Cuiabá, onde funciona a Vara de Execuções Penais. Ela era a responsável por procurar presos e familiares deles para pedir “presentes” para a escrivã Vera Lúcia da Anunciação, a escrevente Maria Dias, e os estagiários Rafael Pinho e Paulo Henrique Gahyva, todos presos quando deflagrada a operação. Os pedidos de “presente” eram feitos sob a alegação de que era a maneira mais fácil de conseguir a tramitação de um processo. Beatriz chegava a alegar que era mais fácil procurá-la do que falar com advogados, porque ela tinha influência na Vara de Execuções Penais e, até mesmo, na 1ª e 3ª Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça. Beatriz e as outras duas suspeitas estão presas no presídio Feminino de Cuiabá. Já os estagiários ganharam liberdade na quinta-feira, por serem considerados “peças pequenas” dentro do esquema de favorecimento de presos.

Edição EDIÇÃO 16964




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