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CIDADES
Terça-feira, 15 de Julho de 2008, 20h:37

AMBIENTE

Área desmatada cai 19% no Estado

Mais do que a redução, o governo do Estado comemorou ontem a mudança da metodologia do Inpe, que agora detalha o tipo do corte da vegetação

ANA PAULA BORTOLONI
Da Reportagem
Dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram queda na área desmatada na Amazônia. Mato Grosso, que sempre ganha destaque no setor por causa das altas taxas, teve 19% de redução, percentual que, por outro lado, não o tirou da liderança do ranking dos maiores desmatadores. O balanço, do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), é referente ao mês de maio. No total, foram desmatados 1.096 quilômetros quadrados, sendo que só em Mato Grosso foram 646 km². Os números anteriores, de abril, detectaram 794 km² de desmate no estado e 1.123 km² no total. Do total avaliado, 88,3% foram confirmados como desmatamento, sendo 59,5% desmatamento tipo corte raso, 28,8% de degradação florestal e 11,7% não se enquadraram nestas classes. Para o secretário estadual de Meio Ambiente, Luis Henrique Daldegan, o detalhamento dos dados foi motivo de comemoração, mais até mesmo do que a notícia de redução do desmate em Mato Grosso. Segundo ele, o governo vai solicitar, nos próximos dias, que o governo federal, através do Inpe, faça o mesmo detalhamento dos dados anteriores acerca do desmatamento. O corte raso é tido como o principal item do desmatamento, já que nas áreas onde ele acontece não é possível recuperar a floresta. “Agora, queremos saber onde estão os 60% de corte raso”, comentou. Em sua página oficial na internet, o órgão federal diz que a qualificação dos dados do Deter “será muito importante para aumentar a confiança do governo e da sociedade nas indicações do sistema”. Para Daldegan, a alteração foi “uma forma do Inpe reconhecer os erros apontados”. Desde janeiro deste ano, o governo estadual questiona os dados junto ao governo federal. A justificativa é que por serem imagens em tempo real e não do Programa de Cálculo de Desflorestamento da Amazônia (Prodes), que é uma análise mais aprofundada da situação, o Deter aponta como desmatadas áreas em que houve queimadas ou até mesmo alagações. Atrás de Mato Grosso, os dados do Inpe mostram o aumento do desmatamento no Pará. Enquanto desta vez foram identificados 626 km² de desmate, em abril foram 1,3 km². Conforme o Inpe, o aumento naquele estado é explicado pela área coberta por nuvens, já que enquanto em abril apenas 11% do Pará pôde ser visto pelos satélites, em maio a observação aumentou para 41% da área. Em maio, o Inpe analisou 18 imagens LANDSAT, localizadas nos estados do Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amazonas, todas com data posterior a 15 de junho. Foram avaliados 241 polígonos de desmatamento, representando 544 km² ou aproximadamente 50% da área total dos polígonos de maio. Ainda segundo o Inpe, a previsão de divulgação dos dados referentes ao mês de junho é o dia 29 de julho.

Edição EDIÇÃO 16967




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