Após 33 dias, cortadores de cana conseguem a liberdade
Os 14 cortadores de cana que permaneceram 33 dias presos após realizar um protesto contra atrasos salariais deixaram ontem o presídio de Porto Alegre do Norte. O juiz Marcos Terêncio Pires interrogou os trabalhadores rurais e em seguida concedeu liberdade provisória a todos eles no início da noite. Amanhã (hoje) cedo eles acertarão os direitos trabalhistas e retornarão para o Maranhão, onde responderão ao processo, disse a advogada de defesa, Adriana Collodete. Após conseguir a decisão favorável à soltura, a defensora tentava agilizar um meio de transporte para buscar os cortadores de cana no presídio. Um deles quase continuou preso pela existência de um mandado de prisão por tentativa de homicídio, que na verdade era de um homônimo. Os trabalhadores foram presos depois de realizar dois protestos na sede da Destilaria Araguaia (antiga Gameleira), em Confresa, a 1.160 quilômetros de Cuiabá. No segundo dia de manifestação, parte do grupo se excedeu. Com facões, eles riscaram um carro da empresa e queimaram alguns pneus do almoxarifado. Quando o dinheiro para o pagamento do salário chegou, causaram tumulto ao tentar impedir que outros trabalhadores pegassem o dinheiro. Eles foram presos pela polícia no caminho para o alojamento. O Ministério Público Estadual ofereceu denúncia contra eles por invadir área comercial com intuito de impedir ou embaraçar o curso natural do trabalho, ou com o mesmo fim, danificar o estabelecimento ou as coisas neles existentes. O juiz acatou a denúncia e instaurou o processo.