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CIDADES
Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009, 21h:04

OPERAÇÃO VOLVER

Advogada é denunciada pela Promotoria

Acusada de tráfico de influência e corrupção ativa, Lucy da Silva já havia sido presa quando deflagrada a ação para combate ao narcotráfico na fronteira

KEITY ROMA
Da Reportagem
O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou à Justiça a advogada Lucy Rosa da Silva pelos crimes de tráfico de influência e corrupção ativa. O órgão também ofereceu denúncia contra Otoniel da Silva Pimentel. Os promotores de Cáceres, Januária Bulhões e Samuel Frungilo, pediram a instauração de inquéritos policiais complementares para apurar outros crimes supostamente cometidos por Lucy. O mesmo inquérito da Polícia Federal que indiciou Lucy também incriminava o escrivão da Polícia Civil, Denílson Braz de Souza, e o policial militar do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), Jerber Junio Paisano Silva. Contudo, os promotores não citaram os nomes na primeira etapa de denúncias da Operação Volver, apenas remeteram as informações ao Juizado Especial Criminal de Cáceres. “Como os dois cometeram a infração de advocacia administrativa, que é patrocinar interesses privados aproveitando-se de cargo público, a pena alcança até um ano. Como o crime é de menor potencial ofensivo a causa passa a ser de competência do Juizado Especial e de outro promotor”, apontou Januária. A promotora solicitou na denúncia que dados do inquérito sejam repassados à Promotoria Cível para apuração de crime de improbidade administrativa pelos servidores públicos. Os dois policiais são acusados de repassar informações para Lucy e de avisar a advogada sobre a chegada de clientes em potencial nas delegacias da região. Otoniel foi denunciado pelo crime de corrupção ativa. Em novembro de 2008 ele foi autuado em flagrante pelo crime de evasão de divisas, na cidade de Cáceres. Ao ser apresentado na delegacia, Otoniel apresentou um documento de identidade falso. Contudo, foi reconhecido pelo agente prisional Ronaldo Dias Moreira. Para que o crime não fosse informado à Polícia Federal, Otoniel recorreu à Lucy para que a advogada pagasse propina de R$ 5 mil a Ronaldo, a fim de que o mesmo omitisse a informação. O servidor recusou o benefício e denunciou a prática criminosa à PF. Em outra ação criminosa, a advogada cobrou R$ 1 mil de um cliente sob a argumentação de que possuía prestígio junto ao escrivão Denílson Bráz de Souza. A quantia seria repassada ao funcionário público para que o preso não fosse indiciado pelo crime de tráfico de drogas. As investigações da PF sobre a advogada revelaram indícios de que ela pagava vantagens indevidas a agentes prisionais para beneficiar os clientes que defendia. O MPE solicitou que a informação seja remetida à Polícia Civil para investigação. INQUÉRITOS - A denúncia contra Lucy e Otoniel é resultado do primeiro inquérito da Operação Volver finalizado pela PF. O segundo, de um total de quatro, foi finalizado anteontem. Nele Paulo França, Adomício França, Darli Estevo, Pablo Maciel de Souza, Everton Cândido, o “Pupunha”, e Kelderney Oliveira foram indiciados por associação para o tráfico e formação de quadrilha. Os demais envolvidos, entre eles a advogada Kattlen Káritas, estão inclusos nos inquéritos ainda não finalizados.

Edição EDIÇÃO 16963




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