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CIDADES
Terça-feira, 21 de Junho de 2011, 21h:28

PORTA GIRATÓRIA

Adriano é assassinado

Possível discussão terminou no assassinato do dono do restaurante Adriano dentro de agência do Itaú no Coxipó

ADILSON ROSA E CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
Por causa de uma suposta discussão sobre a porta giratória do banco Itaú da avenida Carmindo de Campos, o empresário Adriano Henrique Maryssael foi assassinado com três tiros ontem de manhã. Ele foi atingido por Alecsandro Abílio de Farias, vigilante de uma empresa terceirizada que presta serviço à agência. Adriano, que era proprietário de um dos restaurantes mais tradicionais de Cuiabá, o “Adriano”, teria discutido por causa do sistema de segurança, que travou a porta. Testemunhas disseram que o vigia sacou da arma e atirou três vezes, matando o empresário no local. Adriano Maryssael morreu ainda na porta giratória, quando tentava deixar a agência bancária. Em seguida, o vigia, que trabalha na empresa de segurança Brinks, deu um tiro no vidro da agência para sair do local e rendeu o técnico em segurança do trabalho Fabrício Fernandes Paniago, de 24 anos, na avenida, para pegar sua motocicleta. “Ele disse pra eu descer da moto porque ele que tinha acabado de matar uma pessoa e precisava fugir do flagrante”, contou. Fabrício tinha ido buscar a namorada em uma loja de materiais de construção e foi rendido a poucos metros do banco. Segundo ele, o vigia estava com um revólver calibre 38 e fugiu pela avenida Fernando Corrêa da Costa, no sentido Coxipó. Um policial militar que estava no local informou que esta não foi a primeira vez que o vigia e a vítima discutiram. O major Manoel Bugalho Neto, do 1º Batalhão da Polícia Militar, no entanto, ponderou que ainda não é possível afirmar se isso é verdade. “O que sabemos é que foi algo relacionado entre o segurança e o cliente, uma discussão entre eles”. O gerente da agência do Itaú, Odenir Pinheiro, que não estava no local no momento do crime, disse que o vigia aparentava ser uma pessoa calma, mas não soube informar há quanto tempo o profissional trabalhava no banco. Outros funcionários não quiseram dar mais informações sobre o ocorrido ou sobre o segurança. Já amigos do empresário disseram que ele era uma pessoa calma e teria perdido a paciência porque as portas estão sempre dificultando a entrada nas agências. A irmã de Adriano, que foi ao local, disse que não sabia o que tinha ocorrido. Ela ficou traumatizada quando soube da morte. Os dois moravam juntos. Uma funcionária que trabalha na casa do empresário confirmou que ele saiu pouco depois das 11 horas da manhã para ir ao banco. Ela acrescentou que Adriano almoçava sempre por volta do meio-dia e meia. Para o delegado Antônio Carlos Garcia, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o caso demonstra claramente o despreparo do vigia para a função. “Teoricamente, o vigilante tem que ter um preparo, uma capacitação para a função, pois passa por avaliação semestral sobre seu comportamento”, frisou. O delegado lembrou que além do homicídio, o vigia praticou o crime de roubo, ao tomar a motocicleta para fugir. “Vamos esperar que ele se apresente nos próximos dias na delegacia. Caso contrário, será solicitada a prisão preventiva”, explicou um policial que participa das investigações. A polícia também já teve acesso a algumas imagens de circuito interno do banco. Pelo menos por meio delas não é possível constatar qualquer discussão entre Adriano e o vigia, disse Garcia; o único detalhe que “diz” alguma coisa é um gesto de Adriano na entrada da agência, quando aponta aparentemente em advertência para uma pessoa que não aparece no vídeo. O delegado informou que o vigia estava em seu primeiro emprego e há apenas cinco meses. (Colaborou Renê Dióz)

Edição EDIÇÃO 16962




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