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CIDADES
Terça-feira, 07 de Julho de 2015, 20h:05

CUIABÁ

Adeptos de crenças afros marcam protesto

Estima-se que em Cuiabá e Várzea Grande existam mais de mil terreiros de umbanda, candomblé e outras crenças em atividade

ALECY ALVES
Da Reportagem
Nesta quarta-feira, a partir das 19hs, a Praça da Mandioca, no centro de Cuiabá, se transformará em um templo livre dos povos de terreiros. Estima-se que em Cuiabá e Várzea Grande existam mais de mil terreiros em atividade. Entretanto, essa é a primeira vez em Mato Grosso, líderes e adeptos de crenças afros como umbanda, candomblé, quimbanda, entre outras, vão às ruas pedir respeito ao direito de liberdade de expressão da fé e contra a intolerância religiosa. O 1º Encontro contra Intolerância Religiosa deverá reunir centenas de representantes de terreiros de diversos municípios, especialmente de Cuiabá e Várzea Grande. “Queremos um basta, um basta na intolerância, na falta de respeito, nos atos de discriminação e até de violência física praticados contra nossos povos”, desabafa a Yalorisá Márcia de Onyra. Líder de um terreiro em Cuiabá, Márcia se diz cansada de perseguições contra quem pratica, filhos dos praticantes e os deuses que cultuam. “Invadem e destroem nossos templos, agridem nossos filhos”, denuncia. O filho dela, por diversas vezes, recorda, foi hostilizado na escola por colegas e os próprios professores. “Era apontado como o filho da feiticeira, da macumbeira, comportamento que estimula o preconceito e a violência”, reclama. Nas igrejas evangélicas, destaca, os pastores difamam os orixás, fazem sessões nas quais dizem que incorporam deuses, por exemplo, supostamente para livrar fiéis de maus espíritos, da pomba-gira, por exemplo. “Nossos Deuses não são responsáveis pelo mal que atormenta, são para auxiliá-las”, garante. Márcia diz que por causa do preconceito e das perseguições, jovens que praticam ou são de famílias de religiões afros estão se sentindo segregados. Estão com medo de ir à escola, de ingressar na faculdade ou mesmo de assumir a religião entre os colegas de trabalho e em outros ambientes que frequentam. O encontro de hoje é o início de uma série de eventos públicos organizados pelo movimento “Afoxé Ela Ola”, Além desse primeiro já estão agendados outros dois, nos dias 5 de agosto e 9 de setembro, ambos na Praça da Mandioca. Os seguidores dessas religiões vão levar às praças e outros ambientes públicos os cantos e danças dos cultos até então restritos aos terreiros escondidos em sítios, quintais das residências de seus líderes e em bairros da periferia. ESTOPIM – A agressão sofrida por uma menina de 11 anos quando voltava de um culto de candomblé, no Rio de Janeiro, mês passado, está desencadeando em todo o país movimentos similares aos organizados em Cuiabá. A garota foi atingida na cabeça por uma pedra atirada por um grupo de evangélicos que estavam em um ônibus. Ela chegou a desmaiar. Quem pratica, induz ou incita a discriminação ou preconceito religioso pode ser enquadrado no artigo 20 da lei 7.716, ficando sujeito ao pagamento de multa e/ou pena de reclusão de um a três anos.

Edição EDIÇÃO 16965




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