CIDADES
Sábado, 20 de Outubro de 2012, 13h:57
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AVANÇOS
Adaptações ajudam estudante a usar o computador
Mateus ficou paraplégico após ser vítima de uma bala perdida. Agora, faz tratamento em Brasília para conseguir mais conforto e independência
ALECY ALVES
Da Reportagem
Depois de passar 40 dias em tratamento de reabilitação no Hospital Sara Kubitschek, em Brasília, retorna para Cuiabá o estudante Mateus de Assis Fonseca, 12 anos, que ficou tetraplégico ao ser atingido por uma bala perdida quando brincava na porta de casa. Aqui, Mateus, e seu pai, Eliesio Fonseca, já começaram uma nova luta, a campanha de arrecadação de dinheiro para a compra de uma nova cadeiras de rodas. Indicada pelos médicos do Sara Kubitschek, o preço esta estimado em quase R$ 10 mil. Para o tratamento recebido, Mateus e Eliesio não pouparam elogios. É um hospital de primeiro mundo, com os equipamentos mais modernos e pessoas competentes e educadas, atesta o pai de Mateus. Sobre os resultados práticos da assistência recebida nesse período, Eliésio Fonseca aponta para o filho, concentrado na frente do computador, navegando na internet e nas redes sociais sem a ajuda dos familiares. Nas páginas, ele sempre está adicionando e conversando com amigos. Com as atividades fisioterapeutas desenvolvidas no hospital, que é referência em reabilitação motora, Mateus ganhou em autonomia e qualidade de vida. O pai dele explica que o filho ganhou um capacete e tábua com sensor no lugar do mouse e Joystick (também conhecido como manete no Brasil) periférico de computador e videogame. Mateus apreendeu a operar os equipamentos com os quais qual poderá fazer tarefas escolares, se manter conectado com o mundo e, o que mais gosta, participar de jogos e outros entretenimentos virtuais. Já Eliesio Fonseca, que há quase três anos se dedica exclusivamente aos cuidados do Mateus, apreendeu técnicas que proporcionam maior qualidade ao filho, reduzindo inclusive os riscos de infecção. Mateus não usa mais fralda, comemora. Ele conta que os médicos o ensinaram a fazer o cateterismo uretal, que consiste em retirar a urina da bexiga por meio de uma fina sonda introduzida pelo pênis. Pelo menos cinco vezes ao dia esse procedimento é realizado. Durante o processo, o pai ainda injeta um medicamento que previne infecção e espasmos musculares. Além da alegria e conforto do filho por não usar fraldas, Eliesio diz que os médicos lhe disseram que os espasmos poderiam desencadear outros problemas de saúde ao filho. Sobre a nova cadeira de rodas, Eliesio lembra que a família não dispõe de recursos para adquiri-la. Ele, que trabalhava como padeiro, não tem de renda, exceto o salário mínimo (R$ 622) do benefício que Mateus passou a receber do INSS por causa da deficiência, e o dinheiro dos pequenos bicos que faz como pintor de parede, pedreiro e eletricista no pouco tempo que dispõe quando não está cuidando do filho. A cadeira de rodas motorizada indicada pela equipe do Sara, que espera adquirir com uma campanha de arrecadação, permitiria até que Mateus se locomove sozinho de casa para a escola. Eliesio é pai de outros dois adolescentes e uma menina de seis anos. Ele mora com os filhos em Cuiabá. Já mãe das crianças, de quem é separado, casou-se novamente e mora no interior e está com um bebê recém-nascido. Aqueles que quiserem contribuir com a família podem fazer o depósito na conta 44138-4, agência 1462, na agência do banco Bradesco do Porto, em Cuiabá.