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Quinta-feira, 03 de Março de 2011, 21h:18

FLAGRANTE

Acusação de tráfico

Advogada é presa ao tentar entrar no maior presídio de MT com colchão recheado de maconha, celulares e carregadores

CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
Uma advogada foi presa ontem em flagrante ao tentar entrar na Penitenciária Central do Estado, antigo Pascoal Ramos, em Cuiabá, com celulares e drogas. Os produtos foram colocados em três colchões. Gileuza Aparecida Garcia, de 53 anos, foi presa e teve o exercício profissional de advogada suspenso pela seccional de Mato Grosso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A advogada tentou entrar no presídio por volta do meio-dia com três colchões. Desconfiados, agentes penitenciários decidiram revistar os objetos. Ao abrir os colchões, os agentes encontraram dois carregadores de celulares, 33 tabletes de maconha, um pedaço de faca e sete aparelhos celulares com chip distribuídos entre os artefatos. Segundo a polícia, os objetos seriam entregues para os detentos Mike Jhons Pereira, Éderson Santos da Silva e Everson Ribas, que são clientes da advogada. Ribas foi preso em flagrante há menos de uma semana, no bairro Canjica. Com ele, foram apreendidas 32 trouxinhas de pasta-base de cocaína. A prisão levou a polícia a fechar uma boca-de-fumo no bairro. Gileuza Garcia foi detida ainda dentro da penitenciária e encaminhada para o Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) Norte, no bairro Planalto. Apesar da prisão em flagrante, a advogada disse em depoimento ao delegado plantonista Tjormires Aroldo Pinto que não sabia que os celulares e as drogas estavam dentro dos colchões. Desde a noite passada, a Gileuza Garcia não pode mais exercer a profissão de advogada. A Ordem dos Advogados do Brasil - seccional Mato Grosso – a suspendeu do exercício profissional. O presidente da OAB, Cláudio Stábile, informou que foi instaurado processo ético-disciplinar junto ao Tribunal de Ética e Disciplina. “A OAB entende que esse tipo de conduta é inadmissível. Por isso que, além de instaurar processo ético-disciplinar, a Ordem também suspendeu o registro profissional da advogada”, disse Stábile. Ele informou ainda que a OAB vai pedir cópia do inquérito policial e do auto de prisão em flagrante para embasar o processo. O prazo para a conclusão da investigação é de 90 dias. “Durante esse período, serão produzidas provas e a advogada terá direito de defesa assegurado como garante a Constituição Federal”, afirmou. A advogada foi indiciada por tráfico de drogas e ingresso de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional. A pena para o crime de tráfico é de 5 a 15 anos de prisão. Para o outro crime, a pena é de três meses a um ano de detenção. Gileuza foi encaminhada para o presídio feminino Ana Maria do Couto.

Edição EDIÇÃO 16967




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