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CIDADES
Quarta-feira, 22 de Junho de 2011, 21h:50

PANTANAL

Acesso não tão restrito

Prima de vítima relata diversos convites que recebeu para subir até o teto de shopping, onde muitos costumam ir

ALECY ALVES
Da Reportagem
O acidente que acabou na morte de dois adolescentes e no ferimento de outros dois, ocorrido anteontem no Pantanal Shopping, trouxe à tona informações preocupantes. O acesso de jovens e adolescentes ao telhado do shopping para fazer fotografia, filmar ou simplesmente apreciar a vista da cidade pode ser mais comum do que se imagina no estabelecimento. Isso aconteceria tanto no período diurno como noturno. No acidente morreram Keisa Siqueira Santos, 12 anos, e Marcelino Santos, de 15 anos. Ficaram feridos Camila Costa, 13, Gustavo dos Santos Oliveira, 14 anos. A estudante Verônica Lorga, de 13 anos, prima de Keisa, que frequenta um curso de inglês em uma faculdade instalada dentro do shopping, contou que foi convidada diversas vezes por outros adolescentes, inclusive pela filha de uma lojista do estabelecimento, para subir no telhado. Verônica disse que não aceitou o convite por medo de ser pega pelos seguranças. “Não tive medo de subir, mas de ser pega”, observou. Na tentativa de convencer Verônica a aceitar o convite, a colega dela chegou a dizer que uma única vez, quando ainda estava no corredor, os vigias a barraram. “Ela disse que os seguranças a levaram para uma sala e, depois para a loja da mãe dela”, relatou Verônica. Conforme a estudante, a filha da lojista, cujo nome está sendo mantido em sigilo, contou-lhe que teve acesso ao local até durante a noite, na companhia de um amigo. “A menina contou que subiu lá à noite e que o acesso é tão escuro que ela nem conseguia ver o rosto do colega que estava com ela, mas que a vista de lá de cima é incrível”, contou Verônica. A estudante fez essas declarações ao lado da mãe, que é tia-avó de Keisa, para quem ela só revelou os convites recebidos após a morte da prima. Já Gustavo Oliveira, que na queda sofreu ferimentos na boca, contou, durante o velório de Keisa, que não subiram no telhado para ter acesso ao cinema, como disseram inicialmente. Segundo ele, a intenção era fazer um vídeo usando a filmadora do aparelho celular de Keisa. O adolescente contou que, depois de fazer uma prova na escola, que funciona no complexo do Grande Templo da Igreja Assembleia de Deus, ele e os colegas Marcelino e Lucas, da mesma escola, foram passear no shopping. Lá, na praça de alimentação, conheceram Keisa e Camila. Depois de um longo papo, o grupo decidiu subir para filmar. Primeiro, disse, foram até o banheiro, vendo que não tinha ninguém vigiando as entradas, foram subindo até chegar à escada que dá acesso ao telhado. Gustavo contou que nenhum deles percebeu que uma parte do telhado, exatamente onde pisaram e de onde caíram, estava amassada. Da queda Gustavo disse recordar muito pouco. Ele acha que saiu andando em busca de socorro e desmaiou duas vezes. Que em um corredor, encontrou uma funcionária da limpeza para quem, acredita, disse que havia outros feridos. O adolescente não sabe quanto tempo esperou por socorro. Já o pai de Gustavo, Waldomiro Oliveira, disse que foi avisado do acidente às 11h30, por alguém que não sabe o nome. “Eu estava numa chácara na estrada de Chapada dos Guimarães, sai de lá, passei em casa, troquei de roupa e fui direto para o Pronto-Socorro. Lá no hospital, ainda esperei uns 20 minutos pela chegada do meu filho e os outros feridos”, reclamou. Keisa era aluna da escola Diretriz, em Várzea Grande, onde morava. Camila, que está internada, também estudava em outra escola várzea-grande. Os pais de Keisa, José Ângelo e Doraci, não sabiam que a filha havia deixado de ir ao colégio para passear no shopping center. Keisa foi velada em Cuiabá, na Capela Jardim, e enterrada às 14 horas. O velório do estudante Marcelino aconteceu na Igreja Jesus Cristo dos Últimos Dias, na avenida Filinto Müller, em Várzea Grande. A família não quis falar sobre o acidente e nem aceitou a presença da imprensa no local. Ele também foi sepultado no período da tarde. Por meio de nota, o Pantanal Shopping limitou-se a dizer que, por se tratar de uma área restrita, o acesso não é permitido a ninguém. “O Pantanal Shopping não tem informação da frequência de pessoas no local”, ainda trouxe a resposta.

Edição EDIÇÃO 16962




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