CIDADES
Quarta-feira, 07 de Junho de 2006, 21h:05
A
A
SANGUESSUGA
Acatadas outras cinco denúncias do MP
Depoimentos de acusados de integrar a máfia das ambulâncias começou ontem pela manhã no prédio da Justiça Federal em Cuiabá
Aline Chagas
Da Reportagem
O juiz da 2ª Vara Federal, Jeferson Schneider, acatou ontem mais cinco denúncias contra os suspeitos de envolvimento em fraude licitatória para compra de unidades móveis de saúde e equipamentos médicos por emandas parlamentares. No terceiro grupo de denúncias aceitas pelo juiz estão as de Tabajara Montezuma Carvalho, Ricardo Waldman Brasil, Regis Moraes Galheno, Alessandro Silva de Assis e Cristiano de Souza Bernardo. Com essas, sobe para 15 o número de denúncias acatadas pela Justiça Federal. Na última quinta-feira, o Ministério Público Federal denunciou 81 pessoas por participação no esquema revelado pela Operação Sanguessuga, feita pela Polícia Federal. O juiz continua analisando as 66 denúncias restantes e deve acatá-las aos poucos. Tabajara, Cristiano, Ricardo, Regis e Alessandro estão com as primeiras audiências em juízo marcadas para sexta-feira, dia 09. O primeiro a depor será Tabajara Carvalho, às 09 horas. O segundo, às 11 horas, será Alessandro Assis. Durante a tarde serão interrogados Régis Galheno (14 horas), Cristiano Bernardo (16 horas) e Ricardo Waldmann (18 horas). Os cinco responderão a processo por formação de quadrilha e crimes contra a paz pública. Cristiano e Regis, por serem ex-funcionários da Câmara dos Deputados, também responderão por corrupção passiva. Ricardo Waldmann, por sua vez, responderá por corrupção ativa. Tabajara Montezuma Carvalho é sócio-proprietário da empresa Oxitec Hospitalar, apontada como empresa fantasma pela Polícia Federal. Pelas investigações da PF, Tabajara é, na verdade, motorista de Planam e teria cedido o nome para a abertura da Oxitec. Ricardo Waldmann Brasil é sócio-proprietário das empresas Suprema-Rio e Plusvida. Segundo as investigações da PF, a Suprema-Rio também é uma empresa de fachada, criada para auxiliar nas fraudes a licitação e movimentar dinheiro sujo. Alessandro Silva de Assis é representante comercial da empresa Planam. Pelas investigações, Alessandro fazia o contato com diferentes prefeituras para garantir a venda de ambulâncias e equipamentos hospitalares por procedimentos fraudados. Cristiano de Souza Bernardo é assessor do deputado Vieira Reis (PRB/RJ). Regis Galheno é assessor do deputado João Mendes (PSB/RJ). O juiz federal Jeferson Schneider começou ontem a ouvir o depoimentos dos acusados de participar do esquema. O primeiro a ser ouvido pelo juiz foi Ricardo Augusto França da Silva, ex-assessor do ex-deputado federal Ronivon Santiago. Ele chegou na sede da Justiça Federal escoltado pela Polícia Federal (PF). Em função do habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal 1ª Região na terça-feira, o irmão do presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), José Wagner dos Santos, chegou acompanhado do seu advogado e se limitou a dizer que estava tranqüilo. Para José Wagner, a decisão do TRF é um reconhecimento a sua inocência. A decisão reconhece que não tenho nenhum envolvimento, disse. Os depoimentos seguiram por toda a tarde e parte da noite. Os outros acusados ouvidos ontem pelo juiz foram Marcelo Cardoso de Carvalho, Neureny Aparecida Medeiros da Silva e Angelita Felipe Nunes. Para hoje estão previstos os depoimentos de Rodrigo Medeiros de Freitas, Rogério Henrique Medeiros de Freitas, Adilson da Silva Guimarães, Maria Estela da Silva e Nívea Martins de Oliveira Ribeiro.