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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008, 20h:08

BOI BRANCO

Ação contra o tráfico

PF prende 13 pessoas em MT responsáveis por esquema de distribuição de cocaína a partir da Bolívia ao SE

EDUARDO GOMES
Da Reportagem/Rondonópolis
A Polícia Federal deflagrou ontem, em Rondonópolis, Cáceres, Betim (MG) e no interior paulista a Operação “Boi Branco”, contra o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O juiz da 1ª Vara Criminal de Rondonópolis, João Alberto Menna Barreto Duarte expediu 19 mandados de prisão e 26 de busca e apreensão. Agentes federais prenderam 18 suspeitos e um continuava sendo procurado até o começo da noite. Em Rondonópolis, foram presos 12 envolvidos, além de uma pessoa em Cáceres. A Polícia Federal limitou-se a informar que esse grupo é formado por sete empresários conhecidos na cidade do sul do Estado e por traficantes. No final da tarde, uma nota da Delegacia da PF de Rondonópolis divulgou as iniciais e a idade dos presos. O juiz Menna Barreto também omitiu os nomes. Reconheceu que expediu os mandatos, inclusive os que foram cumpridos fora de Mato Grosso, mas alegou segredo de justiça no caso. O delegado da PF, Tales Souza Frauzino, revelou que os presos foram encaminhados para presídio em Rondonópolis. Frauzino explicou que a operação começou a ser desenhada em junho do ano passado, quando um traficante com 17 quilos de cocaína foi preso em São José dos Campos (SP). Essa prisão desembocou na descoberta de um laboratório de refino de cocaína em Tremembé, também em São Paulo. Quando policiais federais ‘estouraram’ esse laboratório descobriram que era alimentado por droga oriunda da Bolívia, que ali chegava por meio de uma quadrilha que atuava a partir de Rondonópolis. Ao longo das investigações, a PF descobriu que o escrivão da Polícia Civil Celso da Silva, lotado em Porto Esperidião – fronteira com a Bolívia – integrava a quadrilha. Celso era uma espécie de abre-alas do corredor do narcotráfico de Cáceres a São Paulo e também seria um dos responsáveis pelo transporte de pasta-base. Em 9 de agosto, uma operação conjunta da PF com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) resultou na prisão de Celso, juntamente com a cabo da Polícia Militar, Rosemar da Silva, destacada em Cáceres. Os dois foram presos por patrulheiros rodoviários no posto da PRF da BR-364 em Rondonópolis, com 3 quilos de pasta-base. Ambos estão recolhidos no presídio de Santo Antônio de Leverger. As prisões em São Paulo e em Mato Grosso, juntamente com escutas telefônicas autorizadas e uma paciente investigação, resultaram na descoberta do chefão e dos integrantes da quadrilha em Rondonópolis. Esse grupo criminoso atuava em duas pontas: uma diretamente no tráfico, e outra, na lavagem de dinheiro por meio de empresas dos envolvidos ou fantasmas em nome de laranjas. O monitoramento das ligações telefônicas inspirou o nome da operação, porque os traficantes se referiam à cocaína chamando-a de boi branco. Um rastreamento bancário nos últimos quatro meses revelou que a quadrilha movimentou ao menos R$ 7 milhões em contas bancárias, sem computar a movimentação em espécie, que predomina no tráfico. Rondonópolis é considerada importante base do narcotráfico. O crime transnacional começa na Bolívia, de onde cocaína e pasta-base saem quase sempre em veículos roubados ou furtados no Brasil.

Edição EDIÇÃO 16962




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